RAIA QUATRO NEWS


Lenny Krayzelburg: "quero nadar em Pequim/2008"

A entrevista abaixo foi concedida pelo americano Lenny Krayzelburg, campeão olímpico em Sydney/2000 dos 100 e 200 costas, para o site da FIFA. Sim, da FIFA, a Federação Internacional de Futebol Association. Ele fala de suas impressões sobre a Copa do Mundo de futebol, dá suas opiniões sobre o time da Ucrânia (ele nasceu na Ucrânia e se naturalizou americano) e revela: não está aposentado das piscinas e quer nadar a Olimpíada de 2008. A entrevista foi dada na semana passada, logo após o jogo Ucrânia e Tunísia pela primeira fase. Em tempo: a Ucrânia foi eliminada hoje pela Itália, nas quartas-de-final, para tristeza de Lenny.

Pergunta: Você se definiria um torcedor apaixonado por futebol?
Lenny: Definitivamente! Nasci na Ucrânia e, lá, o futebol é o principal esporte. Assisti a Ucrânia e Tunísia em casa.

Pergunta: O que você achou do jogo?
Lenny:
Na verdade, eu não fique muito satisfeito com o jogo, achei bem monótono. Na segunda partida Ucrânia estava muito incisiva contra a Arábia Saudita e por isso conseguiu marcar quatro gols. Mas no jogo de hoje não criamos chances até o pênalti.

Pergunta: Considerando isso, você ficou orgulhoso pela Ucrânia ter passado para as oitavas?
Lenny: Estou muito feliz. Na fase dos grupos, o negócio é jogar para garantir a classificação para a segunda fase, e fizemos o necessário para isso. Acredito que eles têm boas chances nas oitavas se conseguirem recuperar o bom futebol. Estou especialmente orgulhoso porque esta é a primeira Copa do Mundo de que a Ucrânia participa.

Pergunta: Até onde você acha que a seleção ucraniana pode chegar?
Lenny: Estou muito confiante de que eles possam chegar às quartas. No entanto, depois de ver o jogo contra a Tunísia, para conseguir isso eles terão de apresentar um futebol muito melhor. Os jogadores foram muito individualistas, não jogaram em equipe. Muitas coisas precisam ser mudadas para que a Ucrânia avance.

Pergunta: Mesmo não ficando satisfeito, qual foi na sua opinião o ponto alto da partida?
Lenny:
Achei a atuação da defesa muito boa. Eles não sofreram nenhum gol nos últimos dois jogos, e muitas vezes, nesse tipo de campeonato, é a zaga que garante os títulos. Esse foi o ponto alto para mim. Não apenas por este jogo, mas pelos outros dois também.

Pergunta: Qual foi o jogador de destaque?
Lenny:
Andriy Shevchenko fez uma ótima exibição hoje. Mesmo sem ter tido muitas oportunidades.

Pergunta: Você já está nos EUA há muito tempo. Você também tem uma queda pela seleção norte-americana e ficou um pouco decepcionado por eles não terem conseguido se classificar para as oitavas?
Lenny:
As pessoas estavam animadas de verdade com a seleção aqui nos EUA, e tinham muitas esperanças, principalmente porque na última Copa do Mundo eles conseguiram chegar nas quartas-de-final. Mas dessa vez as coisas não deram muito certo.

Pergunta: Você assistiu a outros jogos da Alemanha 2006?
Lenny: Procuro assistir ao maior número de jogos que posso. Vi EUA e Gana, e França e Coréia, dois dias antes.

Pergunta: Qual foi o maior jogo de futebol que você já viu?
Lenny:
Um de que não me esqueço é a final da última Copa, Alemanha e Brasil, embora também me lembre das finais das Copas do Mundo da década de 1990.

Pergunta: Qual foi a primeira Copa do Mundo que você assistiu?
Lenny:
A primeira de que me lembro foi a de 1982.

Pergunta: Qual foi o melhor momento de futebol da sua vida?
Lenny:
Acho que em 1994, nos EUA. Eu vi a final, quando o Brasil venceu a Itália nos pênaltis. Estava assistindo por um canal de TV espanhol, e me lembro do locutor dizendo assim: “El mundo de cupo Brasil”. Fiquei arrepiado só de ouvir aquilo.

Pergunta: Quem você acha que chegará na final de 2006?
Lenny: Meu palpite é Brasil e Alemanha.

Pergunta: Fale um pouco sobre seus projetos no futuro.
Lenny:
Recobrei a forma física e comecei a treinar um pouco. Passei por algumas cirurgias e não pude nadar por um tempo. Mas agora voltei às piscinas e tentarei disputar os Jogos Olímpicos de 2008.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 21h03
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Houve roubo (involuntário) nos 100 livre de Berlim/1936?

O texto abaixo foi escrito pelo profundo conhecedor da história da natação Guillem Alsina, espanhol que já foi nadador olímpico (em 1960), treinador, árbitro e jornalista.

9 de agosto de 1936. São 15:20h no Estádio Náutico de Berlim, hora que vai começar a final dos 100 livre masculino (para constar, temperatura da água 22°). Para expectativa dos 20 mil espectadores (todos sentados) acomodados no Estádio Olímpico de Natação, sete homens se alinham ante suas balizas, músculos tensos para o que está em jogo: o título olímpico mais precioso da natação.

Nas raias 1, 2 e 6 estão os três favoritos, os japoneses Shigeo Arai, Masanori Yusa (que no ano anterior havia conseguido a melhor marca mundial da prova em piscina longa, 57.2, e nas semifinais dos Jogos havia igualado o recorde olímpico, 57.5, que havia sido estabelecido nas elimnatórias pelo seu compatriota Shoji Taguchi) e o próprio Shoji Taguchi.

O desejo de cada um: vencer a prova, herdando o título que quatro anos antes havia sido conseguido pelo compatriota Yasuji Miyazaki em Los Angeles. Com eles, e evidentemente com o mesmo desejo, ainda que sem muito favoritismo, os norte-americanos Arthur Lindegren, na raia 3, e Peter Fick na raia 4. o recordista mundial da prova, 56.4, de 11 de fevereiro de 1936, mas em piscina de 25 jardas (mas o favoritismo vinha também pelo fato de ter batido o recorde olímpico na primeira eliminatória, 57.6, roubado quatro séries mais tarde por Taguchi), enquanto que nas raias restantes havia o alemão Helmut Fischer (raia 5) e o húngaro Ferenc Csik (raia 7), o campeão europeu de 1934.

Devemos dizer, para conhecimento de nossos leitores, que das duas semifinais se classificaram sete nadadores para a final (apesar da piscina ter oito raias), sendo os três primeiros de cada semifinal e o melhor tempo dos quartos lugares, e as raias foram definidas por sorteio.

A espetacular saída submersa de Fischer le proporciona a liderança da prova nos primeiros 40 metros, mas é rapidamente ultrapassado pelo grande favorito, Yusa, que já é o primeiro na virada (25.6, tempo oficial) à frente de Fischer, que quase era alcançado pelo resto dos finalistas.

Na segunda piscina, Yusa começa a se distanciar de seus rivais, e pouco a pouco adquire uma pequena vantagem que parece que vai lhe proporcionar o tão ansiado triunfo. Começam a aparecer nas arquibancadas do estádio as bandeiras com o Sol Nascente, dando ânimos ao seu representante, que aos 70 metros tinha mais de meio corpo de vantagem, enquanto que unicamente Csik parecia ter forças para reagir. Aos 80 metros, Yusa já é o virtual vencedor.
 
Mas então acontece o desastre. Enquanto Yusa parece sentir o esforço colocado entre os 30 e 50 metros para tomar a dianteira, Csik inicia um ataque final demolidor. Os gritos de alegria dos aficcionados japoneses pelo provável triunfo (Yusa, Yusa, Yusa!) começam a se tornar agônicos, enquanto agitam desesperadamente suas banddeiras, tentando "arrastar" seu campeão até ao final, vendo como, pouco a pouco, mas com segurança, o húngaro se aproxima de seu campeão, o alcança aos 90 metros e o ultrapassa, irremediavelmente, um metro depois, para tocar a parede como vencedor com o tempo de 57.6, um pouco pior do que o recorde olímpico, enquanto Taguchi, Fick e Arai avançam sobre Yusa.

Taguchi é segundo, ao final de extraordinários últimos cinco metros, e Yusa terceiro, com Fick e Arai parelhos a ele, bem à frente de Fischer e do outro americano, Lindegren.

Foi uma das chegadas mais acirradas já vistas, com cinco nadadores lutando pela vitória.

Ferenc Csik é reconhecido vencedor, mas o segundo lugar é dado a Yusa, 57.9, seguido de Arai, 58.0, enquanto Taguchi é quarto, 58.1, e, mais atrasados, Fischer, quinto com 59.4, e os norte-americanos nos últimos lugares, Fick sexto com 59.7 e Lindegren sétimo com 59.9.

Provavelmente não seria nada além de mais um capítulo do anedotário olímpico, mas não resistimos a apresentar a solução deste problema da classificação dos 100 livre dado pelo prestigioso diário francês L'Equipe, segundo o qual uma copiosa refeição, devidamente regada por um não menos copioso vinho que os árbitros haviam experimentado antes daquela jornada (que havia começado, relembremos, às 15h), foi a culpada pelas "diferenças" entre a chegada real e o que disseram finalmente os "bem comidos e não menos bem bebidos" árbitros e cronometristas.
 
A fotografia, amplamente difundida, da cerimônia de premiação nos mostra um Csik exultante de alegria depois de sua vitória, levantando um braço para saudar o público, enquanto que ao seu lado, os dois japoneses com semblante fechado, olhar perdido no vazio. Yusa, com os punhos cerrados, e Arai, braços cruzados, refletiam a tristeza e a impotência de não haver podido conseguir um triunfo que parecia destinado a qualquer um dos três finalistas japoneses.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 20h06
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A notícia mais errada da história!

A notícia abaixo foi retirada do UOL Esportes, do dia 10/09/2000, às vésperas dos Jogos Olímpicos de Sydney. Antes de lê-la, vamos relembrar os personagens e os cenários: o australiano Ian Thorpe era o nadador do momento e iria nadar os 200 e 400 livre. O americano Ed Moses era um dos favoritos para os 100 peito. E, como curiosidade, o primeiro homem a nadar os 100 livre abaixo do minuto foi Johnny Weissmuller na década de 1920...

Posto isso, vamos à famigerada:

Ed Moses diz estar preparado para derrotar Ian Thorpe nos 400 m livres

O norte-americano Ed Moses afirmou neste domingo estar preparado para conquistar a medalha de ouro nos 400 m livres, no primeiro dia de competições da natação, no próximo sábado. Com isso, ele pretende derrotar o australiano Ian Thorpe, o fenômeno da natação mundial nos últimos tempos. "Será uma grande surpresa para todos, pois estão de olho apenas no Ian Thorpe. Posso vencer e dar um grande ânimo aos EUA para as outras provas." Moses afirmou querer quebrar a barreira do 1 min na prova dos 100 m livres, ainda na semifinal. "Não tenho nada a perder e vou partir para cima dos meus adversários. Não sinto pressão e será uma honra abrir caminho para todo o time norte-americano, que acredito que seja o melhor da história."

Ian Thorpe x Ed Moses? Só mesmo nos sonhos loucos dos editores do UOL Esportes...



Escrito por Daniel Takata Gomes às 20h16
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A vez da nova geração

Nos dias 23 a 27 de agosto, a FINA organizará o primeiro Campeonato Mundial Junior de natação, destinado para atletas nascidos de 1989 a 1993. E a honra de sediar essa ediação pioneira caberá ao Brasil (na foto ao lado, o criativo cartaz de divulgação do evento).

Nesse último fim-de-semana, aconteceu a 23º edição do Troféu Tancredo Neves, Campeonato Brasileiro Junior de inverno, marcando a da piscina do complexo esportivo do Maracanã (Parque Aquático Júlio de Lamare), no Rio de Janeiro, palco do Mundial. A competição serviu como última tentativa para os nadadores brasileiros conseguirem vaga para o Mundial.

Presença de muita gente que já se destaca em Troféus Brasil e Finkel há algum tempo, como Joanna Maranhão, Amanda Armelau, Thiago Parravicini, Luis Rogério Arapiraca, Conrado Chede, entre outros. Joanna, do Nikita-SESI de Recife, foi quem mais colecionou recordes de campeonato: foram dois na categoria junior 2, nos 200 medley (2:17.87) e 200 borbo (2:27.20). Parravicini, do Flamengo, também saiu com seu recorde, também na categoria junior 2, nos 200 peito (2:18.14).

Outros recordistas: Veruska Clednev, do SERC São Caetano (200 peito jr 1, 2:36.22), Frederico Castro, do Maranhão Atlético Clube, (200 borbo jr 1, 2:05.32), Marcos Vinícius Ferrari de Oliveira, da Apani de Itu/SP (400 medley jr 1, 4:38.38) e Rebeca Bretanha, do Corinthians (200 costas jr 2, 2:21.78). Os revezamentos 4x50 livre (1:49.33) e 4x100 livre (3:59.32) feminino da Unisanta também superaram marcas de campeonato.

Na categoria junior 1, a maior vencedora individual foi Rebeca Peppi, da Hebraica, vencedora dos 100, 200 e 400 livre (58.45, 2:07.33 e 4:28.89). Contando revezamentos, Luiza Fontes, do Botafogo, levou quatro ouros, nos 200 e 400 medley (2:27.56 e 5:16.08) e 4x100 livre e medley, e mais uma prata nos 200 costas. No junior 2, a finalista olímpica Joanna Maranhão foi absoluta, vencendo, além dos 200 borbo e medley, os 800 livre (8:57.95). Leonardo Granna, da Unisanta, também saiu com três ouros (100 e 200 costas, 58.89 e 2:09.81, e 200 medley, 2:10.01). Mas ninguém levou mais ouros que Amanda Armelau, da Unisanta. Além de vencer os três revezamentos (4x50 livre e 4x100 livre e medley), ela ainda chegou na frente nos 100 livre (58.28) e 100 borbo (1:03.76), além de uma prata nos 50 livre.

Os melhores índices técnicos ficaram com Rebeca Peppi, pelos 100 livre, e Felipe Alcântara, da Academia Nado Livre/BA, pelos 150m livre, no junior 1. No junior 2, os melhores foram Joanna Maranhão pelos 200 medley e Thiago Parravicini pelos 200 peito.

Clique aqui para visualizar os resultados completos da competição. Abaixo, fotos dos destaques Luiza Fontes (junior 1) e Amanda Armelau (junior 2).

Vários nadadores conseguiram índices para o Mundial, mas há o limite de dois atletas por prova. Essa semana a CBDA deve divulgar uma lista com 30 nadadores (18 homens e 12 mulheres) que irão representar o país em agosto nas piscinas do Maracanã.

Mas Alexandre Pussieldi, do site Best Swimming, se antecipou e divulgou a provável lista de convocados, baseado nos índices alcançados. Segue abaixo a lista compilada por ele:

FEMININO

50 livre
Fernanda Nacif
Roberta Kamilo Albino

100 livre
Manuela Lyrio
Rebeca Peppi

200 livre
Manuela Lyrio
Rebeca Peppi

400 livre
Manuela Lyrio
Ana Marcela Cunha

800 livre
Ana Marcela Cunha

1500 livre
Ana Marcela Cunha

50 borbo
Daynara Lopes
Roberta Kamila Albino

100 borbo
Daynara Lopes
Daiene Dias

200 borbo
Daiene Dias

50 costas
-

100 costas
-

200 costas
-

50 peito
Natália Favoretto
Ana Carolina Azambuja

100 peito
Veruska Clednev
Ana Carolina Azambuja

200 peito
Veruska Clednev

200 medley
-

400 medley
-

4x100 livre
Manuela Lyrio
Rebeca Peppi
Fernanda Nacif
Roberta Kamila Albino

4x200 livre
Manuela Lyrio
Rebeca Peppi
Ana Marcela Cunha
Betina Lorscheitter

4x100 medley
Andressa Barduzzi
Veruska Clednev
Daynara Lopes
Manuela Lyrio

MASCULINO

50 livre
-

100 livre
Alan Santiago
João Lucca

200 livre
Marcelo Monteiro
Alan Santiago

400 livre
Alan Santaigo
Marcos Ferrari

800 livre
Felipe Alcântara

1500 livre
Felipe Alcantara
Caio Serabranik

50 borbo
Matheus Kuhn
Alan Santiago

100 borbo
Frederico Veloso
Alan Santiago

200 borbo
Frederico Veloso
Mário Pereira

50 costas
Leonardo Guedes
Raphael Santos

100 costas
Leonardo Guedes
Raphael Santos

200 costas
Leonardo Guedes

50 peito
Yuri Costa
Maurici Rubens Filho

100 peito
-

200 peito
Diego dos Santos
Gabriel Fidélis

200 medley
Henrique Rodrigues

400 medley
Marcos Ferrari

4x100 livre
Alan Santiago
João Lucca
Rodrigo Silva
Marcelo Monteiro

4x200 livre
Marcelo Monteiro
Alan Santiago
João Lucca
João Rezende Neto

4x100 medley
Leonardo Guedes
Maurici Pereira
Frederico Veloso
Alan Santiago



Escrito por Daniel Takata Gomes às 18h53
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O velocista do momento - parte 1

Atendendo a um pedido de um freqüentador deste blog que se identificou apenas como Alessandro, publicamos uma matéria acerca do principal velocista do mundo na atualidade, o sul-africano Roland Schoeman.

Roland Mark Schoeman (pronuncia-se "Scuman") nasceu no dia 7 de março de 1980, na cidade de Pretoria. Até a adolescência, jamais tinha sequer pensado em nadar (a exemplo de outro grande velocista, Fernando Scherer). Na verdade ele sequer suportava a natação. Sua mocidade foi ocupada por esportes como críquete e rugby, variações do futebol americano, muito tradicionais na África do Sul.

No entanto, um fato inusitado mudou sua vida de esportista para sempre. Aos 14 anos, Schoeman era uma das estrelas do time de críquete da Willowridge High School. Mas, apesar da popularidade, percebeu que não conseguia impressionar Jennifer Strong, uma garota de 13 anos, por quem Schoeman era apaixonado. Afinal, Jennifer não tinha tempo para ver Schoeman jogando: estava muito ocupada treinando natação no clube Rich Seals.

Na época, Schoeman não escondia sua insatisfação por seu técnico ter mudado sua posição no time de críquete. Com isso, resolveu abandonar o esporte e treinar natação no clube Rich Seals, como tentativa de ficar mais perto da garota de seus sonhos.

"No começo de 1995, alguns amigos da escola me disseram que Roland gostava de mim", disse Jennifer em uma entrevista. "Me lembro de sair do vestiário (do clube de natação) e de ter visto Roland sentado em uma das balizas. Ele veio e falou que estava lá porque gostava de mim. Não pude acreditar!"

A iniciativa de Schoeman deu certo e os dois namoraram por seis meses, até que Jennifer precisou se mudar para Port Elizabeth com sua família. Tentaram manter um relacionamento de longa distância mas não deu certo.

A essa altura, o rumo de Schoeman já estava traçado. "Quanto mais eu penso, mais me convenço que foi a natação que me escolheu, e não o contrário", diz ele. Em 1996, assistindo aos Jogos Olímpicos de Atlanta, decidiu que seria um grande nadador. E o responsável por isso foi Alexander Popov. "Ele foi o único nadador que eu realmente idolatrei", diz. "Sua frieza e sua habilidade de vencer são aspectos que eu sempre quis ter".

Seu primeiro treinador, Gavin Ross, relembra outra passagem marcante. Ainda na época do colegial, Schoeman fez questão de competir em um campeonato chamado Transvaal Open, um dia após seu pai ter morrido em um acidente de carro. Schoeman de nadou em nome da honra de seu pai. "A partir daquele momento, ele realmente começou a despontar", diz Ross. "Na mesma competição, ele conseguiu índice para seu primeiro campeonato nacional absoluto".

Na busca de conquistar as qualidades necessárias para um grande velocista, Schoeman deixou sua terra natal e partiu para os Estados Unidos, onde ingressou na Universidade do Arizona em 1999 para cursar Psicologia e, é claro, treinar, sob a tutela de Frank Busch e Rick De Mont. Seu compatriota e futuro companheiro de glórias Ryk Neethling já se encontrava treinando por lá. Naquele mesmo ano, Schoeman disputou seu primeiro NCAA (Campeonato Universitário Norte-Americano), ficando em terceiro nas 50 jardas nado livre (19.49) e terceiro nas 100 jardas (42.88). Em piscina longa, terminou o ano na primeira posição nos 50 livre com 22.04, conseguido no Campeonato Americano, em agosto. Um feito e tanto: seu tempo, na época, o colocava em 4º no ranking all-time da prova, atrás apenas das lendas Tom Jager, Matt Biondi e Alexander Popov.

No NCCA do ano seguinte, desta vez disputado em piscina de 25m, os americanos puderam sentir ainda mais a explosão do garoto. Schoeman igualou o recorde mundial na eliminatória dos 50 livre, em poder do inglês Mark Foster, com 21.31. Abrindo o revezamento 4x50, melhorou ainda mais com 21.28. Na final dos 50 livre, conseguiu 21.22, mas perdeu a prova e o recorde para Anthony Ervin (21.21). Conseguiu outra prata nos 100 livre (47.51), atrás do mesmo Ervin, um bronze nos 100 borbo (52.14) e mais três medalhas em revezamentos.

Suas performances lhe renderam uma bolsa de estudos completa da Universidade do Arizona até o término de sua faculdade. O que representou um prêmio e um alívio para sua mãe, Geraldine, a principal incentivadora da carreira de Schoeman. Ela teve que se desdobrar para conseguir manter o filho nos Estados Unidos. De acordo com Gavin Ross, "ela gastou de 15 mil a 20 mil dólares por ano nos dois primeiros anos (de Schoeman) nos Estados Unidos, antes de ele conseguir a bolsa".

Disputou sua primeira Olimpíada em Sydney, 2000. Chegou como um dos favoritos ao pódio nos 50 livre, mas conseguiu apenas a 10º posição (22.41). Ficou ainda em 15º nos 100 (49.84, com 49.74 nas eliminatórias) e 11º no revezamento 4x100 livre.

Apesar de sua performance olímpica não ter correspondido às expectativas, a experiência foi de grande valia para o que estava por vir. Já no ano seguinte, no Mundial de Fukuoka, conquistou o bronze nos 50 livre (22.18), a única medalha de seu país na competição. Bateu o recorde africano dos 50 borbo na semifinal da prova (23.68). Ainda se destacou pela descontração: compareceu a uma final com touca de banho e em outra ficou imitando um samurai para as câmeras. Nessa competição já começou a chamar a atenção com sua ótima saída, tanto em termos de reação quanto na entrada na água, a melhor entre os finalistas. Em 2002, disputou pela primeira vez os Jogos da Comunidade Britânica e conquistou o ouro nos 50 livre com 22.33 (na foto, no pódio), além da prata nos 50 borbo com novo recorde continental (23.66) e no 4x100 livre, antecipando o sucesso que teria com o revezamento sul-africano. Em 2003 não foi bem no Mundial de Barcelona, saindo sem nenhuma medalha, mas encerrou o ano com um presságio.

Em dezembro, num torneio regional em Pretoria, Schoeman nadou os 100 livre para um quase inacreditável 48.69. Essa nunca havia sido a especialidade dele. O recorde africano da prova era de seu compatriota Lyndon Ferns, que apenas alguns dias antes havia feito 48.99. Com Ryk Neethlinq, ex-fundista se especializando em velocidade, tendo feito 49.06, passou-se a aventar na equipe sul-africana uma séria possibilidade de lutar por um inédito ouro olímpico em Atenas/2004.

Todos mergulharam de cabeça no objetivo. No Campeonato Sul-Africano de Durban, em abril, Schoeman mostrou que, se dependesse dele, não deixaria escapar a oportunidade. Saiu de lá com vários recordes e tempos impressionantes: 21.98 nos 50 livre, 48.20 nos 100 livre e 23.61 nos 50 borbo, se credenciando definitivamente para lutar pelo ouro não só no revezamento olímpico, mas também nas provas individuais.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 14h19
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O velocista do momento - parte 2

O dia 15 de agosto de 2004 foi o dia da consagração. Em que todo o trabalho foi recompensado. Era o segundo dia da natação nos Jogos Olímpicos de Atenas. Já nas eliminatórias do 4x100 livre, os sul-africanos não economizaram nada. Roland Schoeman fez o segundo melhor tempo da vida abrindo (48.38) e o tempo final foi 3:17.84, apenas 17 centésimos atrás do recorde mundial da equipe australiana. A dedicação para a prova era total. Alguns dias antes da prova, quatro sul-africanos fizeram uma tomada de tempo para decidir quem nadaria a prova ao lado de Schoeman e Ryk Neethling, e Lyndon Ferns e Darian Towsend foram os felizardos. Inclusive Neethling e Townsend abdicaram dos 200 livre para se concentrar no revezamento.

A final foi mais fácil do que se poderia supor. Nenhum dos bicho-papões, como Estados Unidos, Rússia, Holanda ou Austrália, chegou a ameaçar. Isso em grande parte devido à grande vantagem que Roland Schoeman abriu. Com 48.17 (2º no ranking all-time), chegou mais de um segundo na frente do concorrente mais próximo. Ferns, Townsend e Neethling completaram o trabalho e com 3:13.17 superaram a marca mundial em quase meio segundo. A comemoração dos sul-africanos foi histórica. Foi a primeira medalha de ouro olímpica na história da natação do país. "São quatro anos de muito trabalho. Sabíamos que nossos esforços iriam ser recompensados", disse Schoeamn após a prova. "Todos sonham conquistar uma medalha de ouro, mas dividir a vitória com esses quatro caras é muito especial".

Os Jogos ainda não tinham acabado para Schoeman. O mundo estava impressionado com sua velocidade e suas habilidades na saída das provas. Nos 100 livre, apresentou seu arsenal, ao sair meio corpo na frente e virar os primeiros 50m com 22.60, a parcial mais rápida da história. Mas o holandês Pieter van den Hoogenband mostrou seu famoso final de prova e superou o sul-africano por apenas seis centésimos (48.17 x 48.23). Schoeman cumpriu sua missão muito bem na prova. Nas cinco vezes que nadou, contando aberturas de revezamentos, conseguiu quatro tempos espetaculares: 48.17, 48.23, 48.38 e 48.39, em todas as ocasiões com passagens de 22.6 e com o melhor tempo de reação. Sem dúvida o rei da regularidade. Destaque para seu tempo de reação na final dos 100 livre, com 0.64, e para sua parte submersa da prova. "Ficar em segundo atrás do recordista olímpico e mundial não é nada mal", disse Schoeman. "Sabia que com 48.1 venceria a prova, eu sabia disso, mas não era o único".

Na final dos 50 livre, Gary Hall Jr com uma fantástica chegada matou a boa saída de Schoeman. Com 22.02, conseguiu o bronze. Com suas três medalhas, Schoeman se consagrou como o atleta sul-africano mais condecorado da história olímpica. "Conseguir três medalhas olímpicas é um sonho que se tornou realidade". O Comitê Olímpico do país soubre reconhecer, ao designá-lo como porta-bandeira da delegação no encerramento dos Jogos.

Apesar de tudo, foi cobrado pela imprensa do país por não ter conquistado nenhum ouro individual. "Realmente fiquei um pouco desapontado, mas olhe só, na verdade eu não perdi o ouro, e sim conquistei a prata", disse, e aproveitou para disparar contra as condições de seu país. De acordo com ele, o revezamento nunca teria sucesso se os membros permanecessem na África do Sul: "no nosso país não temos tanta infra-estrutura ou competitividade. Não tem o suporte que os EUA oferecem. Não sei se teríamos sucesso ou este nível". Mas deixou claro que o amor pela pátria não mudou. "Sinto muito a falta da África do Sul, mais do que qualquer coisa, gostaria de voltar para lá. É difícil ficar longe da família e dos amigos por tanto tempo".

Retornando à África do Sul após os Jogos, uma surpresa: foi recebido pelo ex-presidente sul-africano Nelson Mandela (foto abaixo), uma grande influência na vida de Schoeman. "Estava do lado do homem, foi surreal. Li "Longo Caminho para a Liberdade" (autobiografia de Mandela) e estar do lado de uma pessoa tã humilde, engraçada e genuína é fantástico".

 

Depois de Atenas, Schoeman tirou merecidas férias, mas logo estava de volta à melhor forma. No início de 2005, no circuito da Copa do Mundo de piscina curta, bateu o recorde mundial dos 100 medley (52.51), logo superado por Ryk Neethling, e igualou a marca dos 100 livre (46.25), que divide até hoje com o americano Ian Crocker.

Sua performance no Mundial de Montreal foi ainda mais impressionante. Bateu o recorde mundial dos 50 borbo na semifinal (23.01) e na final se tornou o primeiro homem a quebrar a barreira dos 22 segundos (22.96). Nos 100 livre, novamente seu final de prova deixou a desejar novamente e foi ultrapassado no final pelo italiano Filippo Magnini (48.12 x 48.28). Mas não vacilou nos 50 livre. Mesmo não tendo passado bem na noite anterior, venceu com 21.69, segundo melhor tempo da história, e se firmando como o maior velocista da atualidade. "Eu acho que estar doente tirou um pouco da pressão sobre mim. Eu me sentia morto ontem à noite, por isso rezei bastante para Deus tomar conta de mim hoje", disse após a prova.

Ainda em 2005, o Qatar fez uma proposta milionária para que Schoeman se naturalizasse e representasse o país. Depois de muito pensar, ele recusou e não saiu perdendo. A Federação de Natação da África do Sul, com medo de perder seu principal nadador, aceitou aumentar os valores que pagava a ele. Além disso, Schoeman não precisaria deixar os Estados Unidos para treinar no Qatar, como previa o contrato. Em uma declaração oficial, Schoeman disse que "apesar de eu ter a chance de ganhar muito mais dinheiro, me sinto tremendamente abençoado que seja o hino da África do Sul a ser ouvido quando eu ganho uma medalha de ouro".

Este ano, Schoeman nadou os Jogos da Comunidade Britânica, em Melbourne. Venceu os 50 livre (22.03) e 50 borbo (23.34) e o 4x100 livre, e ficou com o bronze nos 100 livre (49.24). Mas uma nova doença o tirou do Mundial de Piscina Curta de Xangai. "Ainda não me recuperei dessa doença e meus médicos acreditam que a viagem à China iria prolongá-la ainda mais", declarou na época. "Não posso mais ter nenhum retrocesso porque já comecei minha contagem regressiva para Pequim. Espero poder trazer mais vitórias para a África do Sul em 2008". Afinal, Pequim será seu objetivo final: "provavelmente, a Olimpíada de 2008 será meu último ato". Entre os objetivos que restam, estão abaixar de 21s nos 50 livre e melhorar sua volta nos 100 livre. Schoeman continua treinando no Arizona, sob o comando dos mesmos Frank Busch e Rick De Mont, apesar de já ter concluído a faculdade.

E quanto à garota que foi a responsável pelo seu início na natação? Jennifer Strong abandonou a natação, e Schoeman a visitou em Port Elizabeth algumas vezes. "A última vez que nos vimos foi quando fui a Pretoria visitar minha família. Tomamos um café e conversamos por uma hora", disse Jennifer. "Estou muito orgulhosa de tudo que ele alcançou. Ele merece e estou feliz por ele". Ela e toda a África do Sul, que espera ver seu pupilo repetir seus fantásticos feitos nas piscinas chinesas daqui a dois anos.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 14h19
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Santa Clara: Coughlin e Phelps detonam

Terminaram ontem as disputas do Santa Clara Invitational, em Santa Clara, Califórnia, uma das mais tradicionais competições dos Estados Unidos, sempre com grandes presenças e resultados. E este ano não foi diferente.

Como em várias ocasiões, os melhores resultados foram conseguidos por Natalie Coughlin e Michael Phelps. Natalie (foto, na saída do 100 livre) se apresentou em melhor forma que no Mundial do ano passado e talvez até que nas Olimpíadas de Atenas. Com 54.06, venceu os 100 livre e chegou perto de seu recorde americano (53.99), de 2002. "Fiquei muito feliz porque é um tempo mais rápido que eu consegui na Olimpíada", disse. Venceu ainda os 100 borbo com 58.22 e os 100 costas com 1:00.18, melhor tempo também que na final olímpica. Ainda nadou as eliminatórias dos 200 livre e bateu o recorde do torneio com 1:58.47, mas desistiu da final. Encerrou a participação vencendo os 50 livre com 24.98, melhor tempo de sua carreira.

Phelps (foto, na chegada dos 100 livre) também mostrou autoridade, principalmente nos 200 costas, vencendo com um ótimo 1:57.23. Nos 400 medley fez o melhor tempo do ano (4:11.40), e declarou: "me senti bem. Não me sentia bem assim faz tempo". Nessa foto ele foi seguido pelo vice olímpico de 2000 e 2004 Erik Vendt (4:18.66), voltando às competições depois de grande tempo inativo. Phelps não teve dificuldades para vencer também os 100 borbo (52.20). Mas foi no último dia que ele demonstrou sua espetacular forma e versatilidade. Primeiro, caiu na piscina para, em um sensacional sprint nos últimos 20m, vencer os 100 livre com 49.57, superando os australianos Eamon Sullivan e Brent Hayden na batida de mão. Voltou para nadar a prova seguinte, os 200 medley, vencendo facilmente com 1:57.76, superando seu recorde de campeonato de 2003 (lembrando que na época foi recorde mundial). Nessa prova, presença brasileira com Thiago Pereira, nadando como avulso, que conseguiu o terceiro lugar com 2:02.78. E, menos de 20 minutos depois, estava novamente na água para superar o recorde de campeonato de Aaron Peirsol nos 100 costas com 54.80. Definitivamente, apesar de tudo que ele já conquistou, ele quer mais... muito mais!

Já que falamos em Thiago Pereira, além dos 200 medley, ele nadou os 200 peito (13º com 2:21.13) e os 100 costas (15º com 59.59).

Briga de gigantes nos 100 peito feminino entre a recordista mundial de longa Jessica Hardy, a recordista mundial de curta Tara Kirk e a campeã olímpica de 2000 Megan Quann. Melhor para Hardy (1:07.43), com Kirk e Quann, nessa ordem, completando o pódio (foto).

Brenton Richard surpreendeu o campeão e recordista mundial Brendan Hansen nos 100 peito (1:01.58 x 1:01.64), que se desculpou por ter nadado na raia do canto. Mas ele deu o troco nos 200 (2:12.90 x 2:14.45).

Klete Keller venceu os 200 e 400 livre (1:48.69 e 3:49.74), sempre em boas brigas com Peter Vanderkaay. A nova rainha do fundo americano, Kate Ziegler, chegou na frente nos 1500 (16:28.62) mas foi superada por Hayley Peirsol nos 400 e 800, com recorde do campeonato (4:11.00 e 8:26.87).



Escrito por Daniel Takata Gomes às 11h13
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Helge Meeuw impossível!

No quinto dia de finais do Campeonato Alemão, em Berlim, Helge Meeuw (foto) confirmou sua boa fase. Depois de ter batido o recorde europeu dos 200 costas ontem, voltou a repetir o feito nos 100 costas. A final da prova foi no segundo dia, mas ele alcançou o feito abrindo o revezamento medley. Com 53.46, abaixou em 46 centésimos a marca do russo Arkady Vyatchanin, do Mundial de Barcelona, em 2003. Não só isso, é a terceira melhor marca da história, atrás apenas de duas marcas de Aaron Peirsol (53.17 e 53.45).

"Não esperava nadar tão rápido. Sabia que estava bem, mas não tanto", disse a nova estrela européia, que destacou que sua vantagem para os nadadores da Europa é confortável para o Campeonato Europeu.

Nas outras provas, Nicole Hetzer provou sua versatilidade, e depois das vitórias nos 200 e 400 medley, chegou na frente nos 200 costas (2:13.34) e 800 livre (8:42.76). Thomas Lurz chegou perto de ser o novo integrante do clube sub-15 minutos nos 1500 ao fazer 15:00.89. Britta Stefen foi a única abaixo dos 25s nos 50 livre (24.94). Lukasz Wojt foi o vencedor dos 400 medley (4:22.18) e Rafed El-Masri nos 50 livre (22.83).



Escrito por Daniel Takata Gomes às 20h42
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Uma reverência ao rei Popov

22 de agosto de 1991. Largada para os 100 livre no Campeonato Europeu, em Atenas. O recém-recordista europeu, o francês Stephan Caron, não está disputando a prova. Mas, como um furacão, o desconhecido russo Alexander Popov rouba a cena, surpreende a todos e iguala o recorde continental com o tempo de 49.18. No dia seguinte, fecha o reveza 4x100 livre para um espetacular 48.10, parcial que só perdia, na época, para o fenomenal americano Matt Biondi.

18 de agosto de 2004. Na mesma Atenas de 1991, Alexander Popov nada a última prova de sua carreira. Naquela Olimpíada, Popov parou na semifinal dos 100 livre e sequer passou pela eliminatória dos 50 livre.

Foi o ato final da carreira do czar da natação. Um ato que não corresponde à brilhante carreira do russo. Seria mais apropriado lembrar como último momento de Popov nas piscinas sua performance no Campeonato Mundial de 2003, em Barcelona. No Mundial mais forte dos últimos 25 anos, ele reafirmou o título de rei da velocidade, recuperou os títulos nos 50 e 100 livre em meio à forte nova geração e foi o atleta mais aplaudido da competição.

Curiosamente, sua primeira Olimpíada foi na mesma Barcelona, em 1992, e apesar de já ter na época o status de campeão europeu, chegou como azarão. Mas venceu os 50 e 100 livre em cima dos recordistas mundiais Tom Jager e Matt Biondi e começou definitivamente a escrever seu nome na história da natação. Dois anos depois, bateu sucessivos recordes mundiais dos 50 e 100 livre em piscina curta, e em piscina longa estabeleceu um recorde nos 100 livre que duraria 6 anos (uma placa foi colocada no bloco da raia em que Popov alcançou o feito, em Mônaco). Conseguiu seus primeiros títulos mundiais em Roma/1994.

Defendeu os títulos olímpicos em Atlanta/1996, mas, de volta para a Rússia, foi esfaqueado por um vendedor de melancias. Dentre todos seus adversários, com certeza a morte foi a que mais teve trabalho para derrotar. Voltou para ser campeão mundial dos 100 livre em Perth/1998. Nos Jogos Olímpicos de Sydney/2000, foi derrotado em sua especialidade. Não disputou o Mundial de Fukuoka/2001 por problemas de saúde, foi o grande nome do Mundial de 2003 e ainda teve tempo para ganhar seu último título europeu em Madri, 2004.

Curiosidades

- Popov se tornou nadador por acidente. Nascido em Ekaterinburg, nas Montanhas Ural da Rússia, ele começou a nadar porque a piscina coberta da cidade era um dos poucos lugares quentes para brincar no inverno.

- No início de sua carreira, Popov assistia fitas de Matt Biondi para o treino. A tática deu tão certo que derrotou seu ídolo na primeira e única vez que se confrontaram, em Barcelona/1992.

- Antes de se especializar como um nadador de livre, Popov nadava costas. Chegou a superar a melhor marca mundial dos 50 costas em piscina curta em 1994 com 24.66. Abrindo o revezamento 4x100 medley para a Rússia em Atlanta/1996, fez um singelo 55.71. E, em uma entrevista para a revista NADAR, em 1994, quando perguntado sobre seus objetivos, não titubeou: "bater o recorde mundial dos 100 costas".

- De 1991 a 2004, Popov conquistou nada menos que 26 medalhas em Campeonatos Europeus, recorde absoluto

- Nos Jogos Olímpicos de Barcelona/1992, o tempo final de Popov nos 100 livre foi 49.02. Sua volta foi de 24.99, a primeira vez que um homem conseguia cumprir a segunda metade da prova abaixo dos 25 segundos.

- Depois de vencer os 100 livre nas Olimpíadas de 1996, Popov recebeu um telegrama. “Entrei no comitê central da equipe russa em Atlanta e havia um telegrama para mim. Então o abri e li. ‘Nós o saudamos. Você é o primeiro homem bicampeão desde que nosso pai ganhou de ponta a ponta os Jogos Olímpicos, tenha um futuro brilhante. As filhas de Johnny Weissmuller’. Eu fiquei maravilhado”, disse Popov. O americano Johnny Weissmuller foi bicampeão olímpico dos 100 livre em 1924 e 1928 e é um dos maiores nadadores da história. Também ficou conhecido por interpretar o personagem Tarzan em filmes de Hollywood.

- Popov defendeu uma incrível invencibilidade nos 100 livre em grandes campeonatos (Europeu, Mundial, Olimpíadas) de 1991 a 1999, quando foi derrotado pelo holandês Pieter van den Hoogenband no Europeu de Istambul.

- Seu recorde mundial dos 50 livre (21.64), de maio de 2000, é o recorde masculino mais antigo em piscina de 50m.

Confira a seguir os 15 melhores tempos de Popov nos 100 livre em piscina longa:

Siglas: sf=semifinal, e=eliminatória, r=abertura de revezamento

1.  48.21   Mare Nostrum    Mônaco, 18/jun/1994
2.  48.27sf Selet. Olímpica Moscou, 18/jun/2000
3.  48.34sf Camp. Europeu   Helsinki, 4/jul/2000
4.  48.42   Camp. Mundial   Barcelona, 24/jul/2003
5.  48.52sf Camp. Mundial   Barcelona, 23/jul/2003
6.  48.59   Selet. Olímpica Moscou, 19/jun/2000
7.  48.61   Camp. Europeu   Helsinki, 5/jul/2000
8.  48.69   Olimpíada       Sydney, 20/set/2000
9.  48.70sf Camp. Europeu   Berlim, 30/jul/2002
10. 48.74e  Olimpíada       Atlanta, 22/jul/1996
    48.74   Olimpíada       Atlanta, 22/jul/1996
    48.74r  Camp. Mundial   Perth, 15/jul/1998
13. 48.82   Camp. Europeu   Istambul, 28/jul/1999
14. 48.84sf Olimpíada       Sydney, 19/set/2000
15. 48.86   Goodwill Games  East Meadow, 31/jul/1998

Abaixo, Popov, entre Tom Jager e Matt Biondi, após receber a medalha de ouro dos 50 livre nas Olimpíadas de Barcelona/1992.




Escrito por Daniel Takata Gomes às 19h49
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Cai um recorde lendário!

No quarto dia de finais do Campeonato Alemão, em Berlim, os nadadores continuam mostrando que não estão ligando com a mudança de horário das disputas (finais de manhã, a exemplo do Brasil, visando essa possível configuração nas Olimpíadas de 2008) e seguem com grandes resultados.

Helge Meeuw (foto), quatro medalhas de ouro no bolso, conquistou a quinta para coroar sua grande atuação. Com 1:56.34 nos 200 costas, supera em 23 centésimos o recorde europeu do lendário nadador espanhol Martin Lopez Zubero, de 1991. O tempo de Zubero foi recorde mundial por oito anos, e agora Meeuw se coloca atrás apenas de Aaron Peirsol, Michael Phelps e Lenny Krayzelburg no ranking all-time da prova.

Abaixo, a comparação das parciais do recorde mundial de Aaron Peirsol e do tempo de Meeuw:

Aaron Peirsol: 27.02; 55.91; 1:25.09; 1:54.66

Helge Meeuw: 27.15; 55.87; 1:25.53; 1:56.34

Nitidamente o grande diferencial de Peirsol continua sendo os últimos 50m. Quem sabe com um pouco mais de treino e experiência... sonhar não custa nada!

Ficamos sabendo que Meeuw tem uma família de nadadores. Sua mãe, Jutta Weber, foi a primeira alemã a nadar abaixo do minuto nos 100 livre e foi bronze no revezamento 4x100 livre em 1972, pela Alemanha Oriental. Folkert Meeuw, pai de Helge, foi finalista olímpico dos 200 borbo em 1968 e 1972 e três vezes campeão europeu em revezamentos.

Os outros resultados foram meio ofuscados. Nicole Hetzer completou a dobradinha do medley ao vencer os 200 com 2:14.71, com um empate na segunda colocação entre Annika Mehlhorn e Katharina Schiller. Antje Buschschulte, especialista no nado de costas, precisou vencer os 50 borbo (26.70) para conseguir seu primeiro ouro. Entre os homens, Johannes Dietrich nos 50 borbo (23.89) e Johannes Neumann nos 200 peito (2:15.94) foram os outros vencedores.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 18h50
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1:57.56 nos 200 livre feminino!

Sem dúvida, o melhor resultado do terceiro dia do Campeonato Alemão, que está sendo realizado em Berlim, foi o de Annika Liebs: 1:57.56 nos 200 livre, se tornando a 11ª no ranking all-time da prova. Dentro da Alemanha, ela só perde para Franziska van Almsick (1:56.64) - não estamos considerando o tempo de Heike Friedrich (1:57.55), da Alemanha Oriental, de 1986, devido às condições suspeitas das nadadores daquele país. No momento, Liebs é a favorita para o título Europeu, em agosto, mas dentro da Europa existem outras nadadoras em atividade que já nadaram abaixo de 1:58, como Melanie Marshall (GBR), Otylia Jedrzejczak (POL), Camelia Potec (ROM) e Federica Pellegrini (ITA).

A decepção do dia ficou por conta de Anne Poleska, vice-campeã mundial e bronze olímpico nos 200 peito. Com 2:31.20, ficou apenas na 6ª posição em sua especialidade, piorando mais de cinco segundos de seu melhor tempo. A vitória foi para Vipa Bernhardt (2:28.42).

Helge Meeuw continua colecionando medalhas de ouro, e conseguiu sua quarta vitória chegando na frente nos 100 borbo (53.29) e fazendo de Thomas Rupprath um habitual freguês (foi sua terceira vitória sobre ele na competição). Janine Pietsch, recordista mundial dos 50 costas, venceu sua especialidade com 28.45. O veteraníssimo Mark Warnecke, 36 anos, se mostra incansável e chegou na frente na prova que é campeão mundial, os 50 peito (28.36). Apesar da vitória, ele já anunciou que não nadará o Europeu. Paul Biedermann venceu os 200 livre (1:48.48).

Abaixo, fotos de Annika Liebs, em trabalho de musculação, e da bela Anne Poleska, em foto artística.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 11h30
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Enquanto isso, na Austrália...

A estrela australiana Lisbeth Lenton (foto), recordista mundial dos 100 livre, caiu de pau nos responsáveis pela possível mudança dos horários das provas de natação (finais de manhã) para os Jogos Olímpicos de Pequim/2008, visando atender os interesses da televisão (requisição da rede americana NBC).

"Não quero ser rude, mas honestamente isso é arrogância. Não é o melhor para o esporte ou para os atletas. Se isso acontecer (a mudança de horários), será triste, porque não é disso que os Jogos Olímpicos se tratam", disse Lenton. "Os Jogos se tratam dos espectadores e das performances dos atletas. É provado que nadamos melhor à noite. Se a mudança acontecer, será ridículo, pois é como se as Olimpíadas estivessem se vendendo".

"Há muita pressão nas Olimpíadas, e adicionar mudanças ao programa irá adicionar mais pressão que não seria necessária".

O técnico australiano Denis Cotterell, um dos mais respeitados do país, concordou com Lenton, dizendo que será a vitória da "arrogância, ignorância e egoísmo americanos".

O dententos dos direitos de transmissão dos Jogos na Austrália, o Canal 7, escreveu uma carta para a FINA protestando contra a proposta.

Enquanto alguns protestam contra os americanos, outros se juntam a eles. Ian Thorpe (foto) desembarcou hoje nos Estados Unidos para uma temporada de três meses de treinos na Universidade de Southern California, em Los Angeles. Ele será comandado por Dave Salo, um dos treinadores mais respeitados do país.

Desde os Jogos Olímpicos de Atenas/2004, Thorpe competiu apenas o Campeonato Australiano, no início deste ano. Desistou dos Jogos da Comunidade Britânica devido a uma doença e depois quebrou a mão em um acidente caseiro, tendo que desistir também do circuito Mare Nostrum. Inclusive Thorpe acaba de voltar de uma viagem do Japão, onde tem contrato com algumas marcas, e nos treinos por lá teve problemas com sua mão. Mas já foi ver seu médico, que lhe deu sinal verde para continar a nadar.

Thorpe estava inscrito no Santa Clara Invitational, em Santa Clara, que começa hoje, mas desistiu. Porém, estrelas não faltarão ao sempre concorrido evento. Entre elas, estarão Michael Phelps, Brendan Hansen, Natalie Coughlin, Ryan Lochte, Roland Schoeman e Jessica Hardy.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 21h34
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Campeonato Alemão: 1º e 2º dias

Começou um dos campeonatos mais fortes da Europa, o sempre disputado Campeonato Alemão, em Berlim (na mesma piscina do Campeonato Europeu de 2002). É seletiva para o Europeu deste ano, em Budapeste, com uma novidade: eliminatórias à tarde e finais de manhã, como acontece no Brasil, visando a possíve mudança de horário para as Olimpíadas de Pequim/2008.

Britta Steffen bateu o recorde nacional dos 100 livre com 54.26, melhorando em 13 centésimos a marca da aposentada Franziska van Almsick, de 2002. Interessante que nos últimos anos da carreira de Franzi, Steffen foi sua companheira de treino, sob comando de Norbert Warnatzsch. Com os tempos das quatro primeiras colocadas da prova - Steffen, Annika Liebs (54.71), Petra Dallmann (54.85) e Daniela Götz (55.00) -, a Alemanha vem forte para o 4x100 livre no Europeu, prova na qual era a recordista mundial até 2004.

Helge Meeuw venceu os 100 costas com 54.25, se tornando o europeu mais rápido do ano (atrás apenas dos 53.85 do japonês Tomomi Morita no ranking mundial). Foi sua terceira vitória em apenas dois dias, depois de ganhar nos 50 costas e os 200 borbo. Depois, ele declarou que não vai nadar tantas provas no Europeu para se concentrar em uma performance ainda melhor.

A recordista mundial dos 50 costas, Janine Pietsch, venceu os 100 costas com 1:01.06, superando a campeã mundial de 2003 Antje Buschschulte.

Outros vencedores:

Feminino: 400 livre: Janina-Kristin Götz 4:14.40; 1500 livre: Johanna Manz 16:56.55; 200 borbo: Annika Mehlhorn 2:10.11; 100 peito: Simone Weiler 1:09.19; 400 medley: Nicole Hetzer 4:44.42.

Masculino: 100 livre: Marco Di Carli 49.47; 400 livre: Paul Biedermann 3:48.76; 800 livre: Christian Hein 7:59.86; 100 peito: Johannes Neumann 1:02.11; 200 medley: Dominique Lendjel 2:02.99.

Foto: Helge Meeuw



Escrito por Daniel Takata Gomes às 19h55
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Que país é este?

Neste exato momento que posto este texto neste blog, Brasil e Japão jogam pela Copa do Mundo de futebol. O país está parado, ninguém trabalha, ninguém estuda, por causa de um jogo que praticamente não conta para a classificação do Brasil no torneio.

Confesso que é difícil para mim entender essa comoção, esse patriotismo que acomete a nação de quatro em quatro anos. Eu entendo perfeitamente que futebol é o esporte número um do país. Por conseqüência, é natural que um maior número de pessoas acompanhem a Copa do Mundo.

Mas ainda não entra na minha cabeça o Brasil se pintar de verde e amarelo por causa disso. Por causa de um jogo! Por que não pintar o país de verde e amarelo em época de eleições, onde as decisões vão influenciar muito mais nossas vidas do que uma partida de futebol? E gente que não se liga em futebol, que odeia esporte, entra na "corrente pra frente" e dá uma de patriota a cada quatro anos. E o pior: ninguém trabalha por causa de um jogo!!! Pelo amor de Deus, é só um jogo!!!

Não pensem que não torço pelo Brasil. Pelo contrário. Acordava de madrugada para assistir os jogos do Mundial de Basquete feminino em 1994. Me emociono até hoje com a campanha de Fernando Meligeni em Roland Garros/1999. Também não estou pedindo para ninguém não assistir a Copa. Mas o Brasil poderia seguir com sua vida. Na Austrália, a natação é o esporte mais popular do país e na final dos 1500 livre nas Olimpíadas de Sydney/2000 92% dos televisores estavam ligados. Não peço para que isso não aconteça aqui no Brasil em tempos de Copa do Mundo. Só gostaria que as pessoas continuassem com suas vidas, normalmente, sem hipocrisia. Se eu pudesse escolher, preferiria que me dispensassem de minhas obrigações para assistir a natação nas Olimpíadas. Evidentemente, se eu pedir por isso para meus superiores, nem imagino o que pode acontecer. Mas em Copa do Mundo pode!

E imaginem o prejuízo que tem o país parado por três ou quatro horas (sim, não são só as duas horas de jogo). Ninguém na Austrália parou de trabalhar para ver as Olimpíadas. Por falar em Olimpíadas, depois de tudo o que eu escrevi, é mais difícil ainda de entender como muitas pessoas tem a coragem de criticar os esportes olímpicos do Brasil. Para o futebol, todo mundo é patriota. Em tempos de Olimpíada, todo mundo cai de pau com as poucas medalhas conquistadas pelos nossos atletas. Se o futebol é pop, a natação é underground, cult, alternativo. Também o são o atletismo, a ginástica, o judô, etc, que só recebem atenção quando aparece um fenômeno com chances de medalhas olímpicas. "O Brasil não é um país sério", já disse há mais de 40 anos, sabiamente, Charles de Gaulle, de acordo com o que reza a lenda. Mas a frase poderia ter sido dita hoje.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 16h14
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Bem na fita!

Hoje em dia, todos sabemos que Kaio Márcio é o nadador mais veloz de todos os tempos nos 50 borboleta em piscina de 25m. Sabemos também, desde antes da Olimpíada de Atenas/2004, que Thiago Pereira está entre os mais rápidos da história nos 200 medley. Mas quem serão os nadadores brasileiros da atualidade que podem se gabar de fazer parte de uma seleta lista dos melhores de todos os tempos de suas respectivas provas? São aqueles que integram os disputados rankings all-time. Para tirar essa dúvida, seguem abaixo os brasileiros que se destacam em piscina de 50m (até o 35º lugar do ranking), destacando também os três primeiros de cada prova. Quem está melhor na fita é mesmo Thiago Pereira, com o 8º lugar nos 200 medley. Entre as mulheres, Rebeca Gusmão e Joanna Maranhão são 30º nos 50 livre e 400 medley, respectivamente.

50 livre feminino
1.   24.13sf  Inge de Bruijn, NED     Sydney         22/09/2000 
2.   24.44    Therese Alshammar, SWE  Helsinki       09/07/2000
3.   24.49    Alice Mills, AUS        Sydney         19/03/2005
30. 25.17   Rebeca Gusmão, BRA   R. de Janeiro 05/05/2004 
31. 25.17sf Flávia Delaroli, BRA Atenas        20/08/2004
 

400 medley feminino
1.   4:33.59   Yana Klochkova, UKR      Sydney   16/09/2000 
2.   4:34.79   Yan Chen, CHN            Xangai   13/10/1997 
3.   4:34.95   Kaitlin Sandeno, USA     Atenas   14/08/2004 
30. 4:40.00  Joanna Maranhão, BRA  Atenas  14/08/2004 

50 livre masculino
1.   21.64ti  Alexander Popov, RUS     Moscou        16/06/2000 
2.   21.69    Roland Schoeman, RSA     Montreal      30/07/2005
3.   21.76    Gary Hall Jr, USA        Indianápolis  15/08/2000 
29. 22.18   Fernando Scherer, BRA East Meadow  02/08/1998 

100 livre masculino
1.   47.84sf  Pieter vdHoogenband, NED  Sydney        19/09/2000 
2.   48.12    Filippo Magnini, ITA      Montreal      28/07/2005
3.   48.17sf  Jason Lezak, USA          Long Beach    10/07/2004 
13. 48.69r  Fernando Scherer, BRA  East Meadow  31/07/1998 
26. 49.02   Gustavo Borges, BRA    Atlanta      22/07/1996
 

200 livre masculino
1.   1:44.06   Ian Thorpe, AUS           Fukuoka   25/07/2001 
2.   1:44.89   Pieter vdHoogenband, NED  Berlim    03/08/2002 
3.   1:45.32   Michael Phelps, USA       Atenas    16/08/2004 
31. 1:48.08  Gustavo Borges, BRA    Atlanta  20/07/1996 

50 borbo masculino
1.   22.96    Roland Schoeman, RSA     Montreal  25/07/2005
2.   23.12    Ian Crocker, USA         Montreal  25/07/2005
3.   23.38    Sergiy Breus, UKR        Montreal  25/07/2005
9.  23.55sf Fernando Scherer, BRA Montreal 24/07/2005

100 borbo masculino
1.   50.40    Ian Crocker, USA            Montreal  30/07/2005
2.   51.10    Michael Phelps, USA         Barcelona 26/07/2003 
3.   51.36    Andriy Serdinov, UKR        Atenas    20/08/2004 
11. 52.33sf Gabriel Mangabeira, BRA  Atenas   19/08/2004 

200 borbo masculino
1.   1:53.93sf  Michel Phelps, USA          Barcelona 22/07/2003 
2.   1:54.56    Takashi Yamamoto, JPN       Atenas    17/08/2004 
3.   1:54.62    Franck Esposito, FRA        Chalon    18/04/2002 
33. 1:57.38   Kaio M. de Almeida, BRA  Canet    05/06/2004 

200 medley masculino
1.  1:55.94   Michael Phelps, USA     College Park 09/08/2003 
2.  1:57.61   Laszlo Cseh, HUN        Montreal     28/07/2005
3.  1:57.79   Ryan Lochte, USA        Montreal     28/07/2005
8. 1:59.48  Thiago Pereira, BRA   Atenas     12/06/2004
 

Com vocês, Fernando Scherer e Gustavo Borges:



Escrito por Daniel Takata Gomes às 22h37
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Abaixo, destacamos também alguns grandes nadadores brasileiros que já se aposentaram, mas suas grandes marcas resistem ao tempo e ainda hoje significam postos significativos nos rankings all-time de suas especialidades:

800 livre masculino
1.   7:38.65   Grant Hackett, AUS    Montreal  27/07/2005
2.   7:39.16   Ian Thorpe, AUS       Fukuoka   24/07/2001 
3.   7:45.63   Larsen Jensen, USA    Montreal  27/07/2005
63. 7:59.85  Djan Madruga, BRA   Austin   09/04/1980 

400 medley masculino
1.   4:08.26   Michael Phelps, USA   Atenas          14/08/2004 
2.   4:09.63   Laszlo Cseh, HUN      Montreal        31/07/2005
3.   4:11.27   Erik Vendt, USA       Fort Lauderdale 15/08/2002 
64. 4:18.45  Ricardo Prado, BRA  Los Angeles   07/30/1984

200 costas masculino
1.   1:54.66   Aaron Peirsol, USA      Montreal        29/07/2005
2.   1:55.30   Michael Phelps, USA     Orlando         11/02/2004 
3.   1:55.87   Lenny Krayzelburg, USA  Sydney          27/08/1999 
47. 1:59.23e Rogério Romero, BRA  R. de Janeiro 18/12/1999 

Abaixo, os lendários Ricardo Prado e Djan Madruga:



Escrito por Daniel Takata Gomes às 22h35
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O maior espetáculo da terra

O artigo abaixo foi publicado no dia 26/06/2004, em meio à expectativa pré-Jogos Olímpicos de Atenas, e foi um dos mais elogiados desde a criação deste blog. Como um repeteco não faz mal a ninguém, segue a matéria republicada na íntegra:

“We’ll smash them like guitars”.

Essa foi a frase mais famosa dos Jogos Olímpicos de Sydney/2000. Foi proferida pelo nadador americano Gary Hall Jr, em uma provocação aos australianos, que ameaçavam o domínio dos Estados Unidos na natação.

Mas na prática a teoria de Hall se confirmou. Os Estados Unidos conquistaram muito mais medalhas e os australianos tiveram que se curvar à maior potência da natação mundial. Mas não sem antes sofrer um forte baque na prova mais emocionante daqueles Jogos.

A primeira noite de finais da natação foi memorável. Daquelas que irão ser lembradas por muito tempo. Começou com um recorde mundial surpreendente nos 400 medley, pela ucraniana Yana Klochkova. Depois, outro recorde mundial, este já esperado, conseguido pelo queridinho da casa Ian Thorpe, nos 400 livre. Os americanos, ou melhor, as americanas deram o troco, superando a marca mundial do revezamento 4x100 livre minutos depois.

Um ouro para cada lado. O revezamento 4x100 livre masculino iria decidir quem iria largar na frente na primeira noite de finais. Uma vantagem que poderia ser decisiva, pois poderia motivar a equipe vencedora e levar seu país a muito mais medalhas ao longo dos dias. A torcida australiana esperava ansiosamente a batalha.

Atrás dos blocos, os americanos pareciam relaxados. A equipe formada por Anthony Ervin, Neil Walker, Jason Lezak e Gary Hall Jr estava descontraída e faziam brincadeiras.

Na raia ao lado, os australianos, com Michael Klim, Chris Fydler, Ashley Callus e Ian Thorpe, estavam concentrados.

Os americanos tinham dois nadadores na equipe que já haviam nadado na casa dos 48 segundos na prova individual (Hall e Walker), contra apenas um da Austrália (Klim). Além disso, os Estados Unidos nunca haviam perdido a prova na história olímpica. Apesar da torcida dos fanáticos “aussies”, tudo parecia conspirar a favor dos ianques.

Abaixo, a prova na visão da revista Swimming World da época:

A prova foi uma batalha que viu a liderança mudar de mãos nada menos que seis vezes. Michael Klim deu ao time da casa uma incrível vantagem, ao abrir o revezamento quebrando o recorde mundial de seu companheiro de treino, Alex Popov, com um monstruoso 48.18. Virando com 22.83 nos primeiros 50 metros, Klim foi muito para o velocista americano Anthony Ervin, apesar de Ervin ter marcado seu melhor tempo com 48.89, o terceiro mais rápido da história americana. Neil Walker (48.31) tomou a liderança para os EUA a dois terços do final de seu percurso, mas o australiano Chris Fydler (48.48) o ultrapassou para dar a liderança à Austrália na troca de nadadores. O mesmo aconteceu com o americano Jason Lezak (48.42) e o australiano Ashey Callus (48.71). A Austrália tinha um quarto de segundo de vantagem, quando cada nação caiu com sua maior arma: Gary Hall e Ian Thorpe.

Depois dos primeiros 50 metros, as coisas pareciam promissoras para a equipe americana, com Hall Jr virando 6 décimos na frente de Thorpe. Mas o jovem australiano não demonstrou piedade. Energizado pela platéia que gritava freneticamente, Thorpe foi se aproximando de Hall a cada braçada, enquanto Hall desesperadamente tentava se manter à frente. Faltando cinco metros para o final, Thorpe tomou a liderança e tocou a parede em 3:13.67, novo recorde mundial. Hall fechou em 3:13.86, o segundo tempo mais rápido da história. Hall teve a parcial de 48.24 contra 48.30 de Thorpe, mas Thorpe venceu a prova.

O mundo viu embasbacado dois recordes mundiais na mesma prova e o fim da invencibilidade americana. De quebra, a prova teve um gostinho a mais para os brasileiros, pois, em uma chegada emocionante, Edvaldo Valério ultrapassou nadadores das equipes sueca e alemã para dar um suado e merecido bronze ao Brasil. Suado porque a equipe superou a contusão no tornozelo de Fernando Scherer, que nadou no sacrifício e longe de suas melhores condições. Merecido porque soube escolher bem a tática de prova, colocando Gustavo Borges como segundo nadador, Carlos Jayme em seguida e o raçudo Edvaldo Valério para segurar posições fechando o revezamento. Ele não só segurou como ultrapassou fortes concorrentes para conquistar a única medalha da natação para o Brasil em Sydney.

Após a prova, os australianos fingiram tocar uma guitarra imaginária, em homenagem à vitória...

...e a Gary Hall Jr.

Ninguém, principalmente os australianos, esquecerá tão cedo aquela noite. Ao longo das competições, seus principais nadadores sofreram revezes inesperados e os aussies tiveram que assistir mais uma vez os Estados Unidos dominar a natação. Mas, naquela noite, não houve guitarras australianas destroçadas.

E, felizmente, o Brasil também estava presente à festa.

"Tiro minha touca para o grande Ian Thorpe", reconheceu Gary Hall Jr após a prova. Agora, ele espera ansiosamente os Jogos de Atenas e a oportunidade de vingança.

(Fotos: NBC Olympics e Satiro Sodré)

 

Nota: Infelizmente para Gary Hall Jr, ele não conseguiu sua esperada revanche nos Jogos de Atenas 2004. Além de ter sido preterido da final do revezamento 4x100 livre por Michael Phelps (Hall nadou a eliminatória), viu sua equipe terminar com o bronze, atrás da África do Sul e da Holanda. A Austrália, enfraquecida, não chegou a ameaçar. Mas a verdadeira vingança americana veio no 4x200 livre. Michael Phelps, Ryan Lochte, Peter Vanderkaay e Klete Keller superaram a equipe australiana, invicta por sete anos e tida como imbatível, com Keller derrotando Ian Thorpe na batida de mão (diferença de 16 centésimos) e talvez, pelo menos em parte, vingando Gary Hall Jr contra seu carrasco de quatro anos antes.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 17h44
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Mocidade alegre

Que a jovem americana Katie Hoff já deixou de ser promessa há muito tempo, isso todo mundo sabe. Depois de aparecer para o mundo na Seletiva Olímpica Americana de 2004 com apenas 15 anos e de não ter correspondido às expectativas nos Jogos de Atenas (favorita ao pódio, acabou sem medalha nos 200 e 400 medley), deu o troco em 2005 ao vencer as duas provas no Mundial de Barcelona, batendo o recorde americano nos 200 medley, além de mais um ouro no revezamento 4x200 livre. Foi escolhida a nadadora do ano nos Estados Unidos. Começou 2006 com tudo, ao se profissionalizar e assinar um contrato de 10 anos com a Speedo (o maior da história da natação mundial). Em um torneio em Nova Jersey, conseguiu resultados espetaculares para o início de ano. Tempos como 55.75 nos 100 livre, 4:09.63 nos 400 livre e 1:00.54 nos 100 borbo em provas que ela não é especialista. O mais impressionante foi sua parcial no revezamento 4x200 livre pela sua equipe, o North Baltimore Aquatic Club: 1:57.80, simplesmente a sexta melhor parcial de toda a história!

Agora, novamente Hoff é notícia por seus feitos espetaculares. Na semana passada, ela nadou os 100 costas e os 800 livre no Charlotte UltraSwim, e conseguiu fazer o índice mínimo exigido para participação na Seletiva Olímpica Americana de 2008, que acontecerá em Omaha, no estado de Nebraska.

Com isso, agora ela têm índice para participar de todas as provas da Seletiva Olímpica Americana! Isso mesmo, todas as 13 provas!! 50, 100, 200, 400 e 800 livre, 100 e 200 borbo, 100 e 200 costas, 100 e 200 peito e 200 e 400 medley! E os índices não são nada fáceis. Só para recordar, Michael Phelps, talvez o nadador mais versátil da história da natação, em 2004 tinha índices "apenas" em 11 das 13 provas do programa (as exceções eram os 50 livre e os 100 peito). De fato, naquela ocasião, ele se inscreveu nas 11 provas, mas nadou "somente" seis.

Hoff está se preparando para o Campeonato Americano em Irvine, que irá acontecer em agosto, e para o Pan-Pacífico, no Canadá. Essas duas competições são seletivas para o Mundial de 2007. Podemos estar testemunhando o aparecimento de alguém talvez até mais versátil que Phelps! Versatilidade Hoff tem, agora temos que esperar para ver se suas performances também serão avassaladoras. Para lembrar, Phelps e Hoff são originários do mesmo local, o North Baltimore Aquatic Club. Ele continua seu caminho em Michigan, mas Katie Hoff continua fiel às origens, na espera de se consagrar em Baltimore, assim como fez Phelps.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 23h05
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Summertime! - parte 1

A americana Summer Sanders foi uma das nadadoras mais populares de sua época. Em parte por suas habilidades nas piscinas. Ela foi campeã olímpica e mundial, mas não era versátil como Tracy Caulkins e nem dominou suas provas de forma avassaladora como Mary T. Meagher. Em compensação, tinha um carisma fora do comum. Foi a musa da natação dos Estados Unidos até encerrar a carreira. Summer Sanders nasceu para brilhar!

Assim como seu nome, que não foi escolhido por acaso. Em um dia 21 de junho - o primeiro dia do verão -, sua mãe deu a luz. Os pais já haviam decidido: se fosse menina, se chamaria "Summer" (Verão, em inglês). Mas veio um garoto. Dois anos depois, em 1972, eles tiveram uma garota no mês de outubro. E eles gostaram tanto da idéia inicial que deram a ela o nome de Summer. A estação em vigor era o outono, mas o nascimento da garota marcava o início de uma longa primavera na comunidade aquática.

Summer começou a nadar por influência do irmão mais velho, Trevor. Aos três anos, já conseguia atravessar a piscina. Aos quatro, já chegava na frente das colegas de sete. Mas foi aos 11 anos que ela realmente decidiu o que queria após ver ao vivo as Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. Foi a emoção de assistir tal evento que acendeu definitivamente seu desejo pela natação.

Em 1986, disputou uma espécie de regional para nadadores da categoria junior nos Estados Unidos e venceu os 200 peito, com recorde, e os 400 medley. Dois meses depois, venceu a final B dos 200 medley no Campeonato Americano absoluto. Tinha apenas 13 anos. Mas a evolução parou por longos dois anos. Aparentemente, Summer havia perdido a motivação. Era uma adolescente que queria aproveitar a vida. "Por vezes eu nem ligava para a natação", diz Summer. "Queria me divertir na escola e brincar o tempo todo".

Certa vez, um amigo da mãe de Summer, em uma visita de rotina, perguntou a ela: "Summer, por que você nada?". Era respondeu "eu não sei". Sua mãe a puxou para o quarto, onde tiveram uma conversa. "Summer, você sabe, não faz sentido você não saber porque nada. Você não precisa fazer isso por causa de ninguém. Se você gasta tempo e esforço naquilo que você faz, acho que você deveria tentar chegar ao seu limite. Se você não quer estar comprometida, não deve fazê-lo. É isso".

Certamente aquela conversa teve um efeito positivo. Alguns meses depois, Mike Hardings, seu técnico, disse para a mãe de Summers: "Acho que agora Summer entrou de cabeça mesmo. Ela realmente está treinando duro".

E os resultados apareceram em 1988, justamente na Seletiva Olímpica Americana. Nos 200 medley, sua melhor prova na época, terminou na terceira posição com 2:16.63. "Melhorei quase três segundos do meu tempo. Foi ótimo!", disse Summers. Também ficou em oitavo nos 400 medley (4:53.79). "Eu não esperava nem o oitavo lugar nos 400, quanto mais o terceiro nos 200. Nunca nem tinha participado de uma final em um nacional".

Sua aparente alegria escondia uma dramaticidade difícil de suportar. Terminando os 200 medley atrás de Mary Wayte e Whitney Hedgepeth, ela ficou a apenas 27 centésimos de fazer parte da seleção olímpica americana. Para piorar, ela liderava a prova por um corpo antes da última virada. No dia seguinte, a ficha caiu ao ver a comemoração dos nadadores que conseguiram a classificação olímpica.

Mas ela tirou lições valiosas daquilo. "Acho que aquilo me ajudou mais do que qualquer outra coisa. E se eu tivesse conseguido alcançar a seleção olímpica? Esse era o objetivo principal. Eu tinha 15 anos. Quais seriam meus objetivos depois daquilo? Seria mais fácil para mim se eu tivesse conseguido, mas acho que aquilo me fez trabalhar muito para chegar onde estou hoje. Não quero passar por aquilo nunca mais, uma vez já é suficiente. A gente aprende a lição".

Já em 1989, uma decisão incomum na sua carreira: um problema na virilha e a mudança no programa do campeonato americano, que colocava próximas as provas de peito e de medley, a fez trocar o peito pelo borboleta como melhor estilo. Uma decisão da qual ela não se arrependeria.

Isso porque, já no Pan-Pacífico daquele ano, em Tóquio, ela nadou como extra os 200 borbo e fez um tempo com o qual venceria a prova (2:10.99), o terceiro melhor no ranking daquele ano. No ano seguinte, ela se firmou como a melhor nadadora do mundo nos 200 e 400 medley e 200 borbo. Nos Goodwill Games em Seatle, melhorou mais de oito segundos nos 400 medley, acabando com uma invencibilidade de quatro anos de Janet Evans na prova.

No Campeonato Mundial de Perth, em 1991, ela experimentou sentimentos opostos. Não nadou bem os 400 medley e terminou com o bronze atrás da chinesa Lin Li e da australiana Hayley Lewis. Nos 200 medley, igualou seu melhor tempo, mas novamente foi derrotada por Li. Para os 200 borbo, no último dia, foi incentivada pelo companheiro de time Mike Barrowman, que havia batido o recorde mundial dos 200 peito. Ele disse que, antes do recorde, não se sentiu bem nadando as eliminatórias, e acrescentou: "Não se deixe levar por nada. Apenas vá lá e nade". Foi o que ela fez, e venceu a prova com 2:09.24, o melhor tempo do mundo em quatro anos.

Em 1991 e 1992, nadando pela Universidade de Stanford, Summer foi eleita a nadadora do Campeonato Universitário (NCAA), vencendo seis provas individuais e quatro revezamentos. De quebra, foi a principal responsável pelo título de Stanford em 1992.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 00h45
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Summertime! - parte 2

Summer Sanders tinha como principal ídolo no esporte Michael Jordan. Ela tinha seis pôsters da lenda do basquete no seu quarto, e sempre levava pelo menos um às competições para pendurar em seu quarto de hotel. "Ele é fantástico e é uma inspiração para mim", dizia. "Assisto seus jogos, vou pro treino e fico na pilha!"

Não poderia haver melhor inspiração para Summer naquela competição que era seu objetivo final: os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. Michael Jordan e o Dream Team do basquete americano destroçava os adversários nas quadras. Summer Sanders tentaria fazer o mesmo na piscina do complexo aquático de Picornel.

A expectativa era justificável. A Seletiva Olímpica Americana daquele ano havia sido fortíssima, com dois recordes mundiais (Jenny Thompson nos 100 livre e Anita Nall nos 200 peito) e vários resultados top do mundo. Como de costume para a seletiva daquele país. E a maior vencedora individual foi Summer Sanders (na foto ao lado, no pódio daquela competição), com o melhor tempo da carreira nos 200 borbo (2:08.86) e 200 medley (2:13.10) e a vitória nos 400 medley (4:40.79). Também se classificou para os 100 borbo com o segundo tempo (59.67), mas todos sabiam que era a única prova que ela não teria chance de medalha em Barcelona. No entanto, a sempre sensacionalista imprensa já fazia prognósticos irreais: esperava que Summer conquistasse cinco medalhas de ouro olímpicas.

No primeiro dia olímpico, derrubou uma de suas poucas frustrações: a de não conseguir melhorar o tempo nos 400 medley desde 1990. Com 4:37.58, abaixou sua marca em 1.64s e melhorou o recorde americano de Janet Evans em 18 centésimos que vinha desde 1988. A felicidade só não foi completa porque o ouro escapou para a húngara Krisztina Egerszegi, que começava a se tornar uma lenda da natação ao vencer a primeira de suas três provas em Barcelona. Summer ficou com o bronze, chegando também atrás de sua carrasca do Mundial de 1991 Lin Li. "Estou feliz por ter melhorado o tempo. Acho que finalmente aprendi a nadar os 400 medley. Fiquei feliz pelo modo como terminei a prova", disse Summer.

Os 100 borbo, no qual terminou na 6ª posição com 59.82, foi apenas um aquecimento para o desafio maior que viria no dia seguinte: os 200 medley e a chance de vingança contra Li. E o público presente ao complexo aquático de Picornel pôde presenciar um dos maiores espetáculos da história da natação.

Desde o início foi uma batalha de apenas duas nadadoras pelo ouro. Como esperado, Summer saiu na frente no borbo. Li se recuperou e abriu vantagem no costas. Summer deu o troco na parcial de peito e virou para o crawl com uma pequena vantagem. Após a virada, estavam emparelhadas. A forte pernada da chinesa deu a ela uma pequena liderança, a qual Summer desesperadamente tentou recuperar nos últimos 10 metros. No final, com o tempo de 2:11.65, Li superou o recorde mundial mais antigo da natação na época, que vinha de 1981 com a alemã-oriental Ute Geweniger. Summer melhorou seu tempo em 1.46s (2:11.91) e melhorou o recorde nacional de oito anos de Tracy Caulkins. Ao final, um misto de alegria pela performance e tristeza por ter chegado tão perto do ouro.

Dia 30 de julho, último dia da natação olímpica e Summer ainda não havia conquistado nenhum dos cinco ouros esperados pela mídia. Se ela fosse derrotada nos 200 borbo, seria ainda pior. Afinal, ela era absoluta na prova desde 1989. Adicione que estamos falando de uma jovem de 19 anos em sua primeira Olimpíada. Uma pressão difícil de se administrar. No entanto, Summer se comportou como uma veterana em sua principal prova. Ao contrário de sua usual tática, de sair forte e liderar de ponta-a-ponta, Summer manteve a terceira posição até a última virada, atrás da australiana Susan O'Neill e da chinesa Wang Xiaohong. Ultrapassou suas adversárias nos últimos 50 metros, venceu com seu melhor tempo (2:08.67) e pôde desabafar: "Tirei um peso dos meus ombros. Havia muita pressão da imprensa. Fico honrada por estar no centro dos holofotes da mídia, mas a expectativa de eu vencer cinco provas era irreal. Ontem à noite não agüentei e chorei. Não dá pra suportar isso muito tempo. Tentava ficar de boa, mas as pessoas esperam que você ganhe medalhas de ouro. Isso te consome". Na foto abaixo, Summer nada a prova da sua vida:

Summer ainda receberia mais uma medalha de ouro por ter nadado as eliminatórias do revezamento 4x100 medley. Com duas medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze, se tornou a mais premiada nadadora americana em uma Olimpíada desde Shirley Babashoff, em 1976. Após os Jogos, se tornou uma estrela. Sua cidade natal, Roseville, Califórnia, parou para recebê-la. Recebeu a chave da cidade das mãos do prefeito. Foi recebida pelo presidente americano na Casa Branca, participou de renomados programas de televisão como o talk show de David Letterman e até fez uma participação especial em uma novela.

Em 1993, Summer pendurou o maiô. Queria alçar outros vôos. No entanto, a saudade das piscinas acabou batendo e ela ensaiou um comeback em 1996, quando tentou vaga no time olímpico americano. Assim como 1988, não conseguiu. Mas ela já estava realizada. E parecia que aquela temporada peregrinando pelo show business após a Olimpíada de 1992 havia fascinado Summer. E ela se tornou uma daquelas poucas pessoas a alcançar sucesso em duas atividades completamente distintas. Estrelou dois filmes: Jerry Maguire (1996) e Broken Record (1997). Foi comentarista de natação para a rede NBC na Olimpíada de Atlanta/1996 e para a Fox Sports no Mundial de Perth/1998. Foi a apresentadora de programas variados na MTV, Nickelodeon e Fox. Atualmente ela apresenta o programa NBA Inside Stuff (foto), sobre o basquete americano. Seu sucesso na televisão é tão grande que certa vez perguntaram para ela: "você já ouviu falar de uma nadadora que tem o mesmo nome que você?"

A vida pessoa de Summer também vai muito bem, obrigado. Em 1997, ela se casou com Mark Henderson, nadador olímpico em 1996. Se divorciaram em 2001. No ano passado, se casou novamente, com Erik Schlopy, um esquiador que já participou das Olimpíadas de Inverno. No último dia 21 de abril, Summer Sanders deu a luz à sua primeira filha. Assim como Summer, a criança recebeu um nome incomum e belo: Skye Bella Schlopy.

O nome Skye foi idéia da mãe de Summer. Talvez ela tenha se lembrado daquele ano de 1972, quando Summer veio ao mundo. Assim como sua vida tem sido um verão que ainda não acabou, Summer espera que Skye, cujo nome lembra Sky (céu em inglês) siga seus passos e brilhe, como as mais brilhantes estrelas.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 00h44
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O negro na natação

O texto abaixo foi publicado no site Swimnews.net e aborda um assunto polêmico na natação: o baixo índice de negros nas competições de alto nível.

Existem muitas pesquisas científicas e estudos concernentes aos resultados de pessoas negras na natação, mas também existem várias suposições baseadas nas condições sócio-econômicas de nossa comunidade.

Sabe-se que as pessoas da raça negra têm uma estrutura esquelética mais densa do que as pessoas brancas, mas esta não é a principal razão pela qual os negros têm dificuldades na natação competitiva.

O principal fator que deixa os negros para trás na natação são as dificuldades sócio-econômicas nos vários países africanos, que mantêm as pessoas longe das piscinas. Natação é obviamente um esporte para pessoas brancas, que requer uma participação financeira que restringe não apenas os negros, mas também as pessoas brancas ou de qualquer outra raça que vivem em um país com economia frágil.

Além do problema econômico, também existe o problema social, que é importante. Nos Estados Unidos, onde milhões de pessoas negras fazem parte da classe média, não há fatores atrativos para a raça no esporte. As pessoas negras se identificam mais com outros esportes tais como futebol americano, basquete e atletismo.

A África do Sul venceu o Troféu Chico piscina em 2004 com dois nadadores negros no time. Foi a primeira vez que nadadores negros participaram da seleção.

Nos Jogos Olímpicos de 2004, apenas dois nadadores negros participaram de finais: a francesa Malia Metella (bronze nos 50 livre e 4ª nos 100 livre) e o brasileiro Gabriel Mangabeira (6º nos 100 borbo).

Alguns adendos. No caso do Brasil, é impossível ignorar o fato de que a maioria das pessoas negras está nas classes menos favorecidas. Eu já li em alguns lugares, principalmente entre as pessoas que querem "defender" nosso esporte, que a natação não é esporte de elite. Discordo disso. Ou, se não é esporte de elite, é muito próximo disso. Já pararam para pensar o quanto se gasta para fazer alguém aprender a nadar? Caso afirmativo, já compararam com o que se precisa para fazer um menino correr ou jogar futebol? Li essa semana em algum lugar que corrida é o esporte mais democrático que existe: um tênis é tudo que se precisa. Natação, pelo contrário, nem preciso dizer. Natação no Brasil é esporte de classe média/alta. Não é difícil constatar isso no perfil das famílias dos atletas presentes às principais competições. Uma das conseqüências dessa elitização é a pouca popularidade da natação no Brasil. Não é a única causa, mas isso é assunto para um outro post...

Por coincidência (na verdade acho que não foi coincidência...) o site Best Swimming publicou uma boa matéria sobre esse mesmo assunto. Vale uma visita!

Abaixo, fotos de Edvaldo Valério saltando para o bronze no revezanto 4x100 livre em Sydney/2000 e Gabriel Mangabeira durante os 100 borbo em Atenas/2004.

(fotos: Satiro Sodré/CBDA)



Escrito por Daniel Takata Gomes às 22h04
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