RAIA QUATRO NEWS


Trocando de ares

Pessoal, estou dando um tempo no meu blog. Tive a honra de ser convidado para atualizar durante alguns dias o Blog do Coach, de Alex Pussieldi, certamente o espaço de natação competitiva mais acessado do Brasil. Ficarei por lá até dia 14 de junho, quando espero voltar às atividades aqui.

Quem quiser acessar, clique aqui.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 22h07
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Mais recordes

No Circuito Senior do Texas, em College Station, Dara Torres abaixou ainda mais seu recorde americano dos 50m borbo. Com 25.72, ela abaixou em 12 centésimos sua marca obtida nas eliminatórias. Com a medalha de prata, outra veterana: a eslovaca Martina Moravcova, com 26.85. Aaron Peirsol venceu os 200m costas com 1:56.38, tempo bem parecido com o obtido no GP de Charlotte, na semana passada.

No Janet Evans Invitational, tradicional competição que ocorre em Irvine, Jason Lezak mandou bem nos 50m livre ao vencer com 21.90, o melhor tempo de sua vida, superando sua marca da Seletiva Americana do ano passado. De olho na húngara Katinka Hosszu, que venceu os 200m medley com um bom 2:11.47.

No Brasi, dois recordes sul-americanos em piscina curta no Campeonato Sul-Brasileiro, que acontece em Florianópolis. Guilherme Roth superou em 33 centésimos o recorde de Gustavo Borges nos 200m livre de 1998 com 1:44.07, e assim apaga definitivamente o nome de Pirula do livro dos recordes, pelo menos em provas individuais. Agora os dois astros da natação brasileira dos anos 90 e começo dos 2000, Borges e Fernando Scherer, tem em poder somente um recorde brasileiro e sul-americano: o dos 4x100m livre, do Finkel de 1998 (na época recorde mundial, ao lado de Alexandre Massura e Carlos Jayme).

A outra marca foi obtida por Eduardo Fischer. De acordo com o próprio, ele seguiu apenas treinos em banho-maria após o Maria Lenk, e mesmo assim conseguiu um 58.14, derrubando os 58.86 de Felipe Lima de 2008. Seu tempo faz dele o 15º melhor da história da prova em piscina de 25m! Fischer anunciou que tentará o recorde sul-americano dos 50m peito também (ele está nadando em observação).



Escrito por Daniel Takata Gomes às 17h15
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Falando um pouco de natação...

  • A americana Dara Torres (foto), 42 anos, realmente não tem planos para se aposentar e incrivelmente continua melhorando a cada dia. Seu último feito foi hoje, quando ela bateu o recorde americano dos 50m borbo em uma competição em College Station, no Texas, nadando com um LZR da Speedo. Seu tempo de 25.84 nas eliminatórias da prova supera os 26.00 de Jenny Thompson do Mundial de Barcelona de 2003. E isso que ela foi atacada por uma gripe e por isso desistiu de nadar os 100m livre! Torres ainda iria nadar a final dos 50m borbo, e ficamos na espera de seu resultado!
  • Por falar em Dara Torres, seu técnico alemão Michael Lohberg estava lá na competição, sua primeira aparição em um evento de natação desde que foi diagnosticado com anemia aplástica, uma espécie de câncer, logo depois da Seletiva Olímpica Americana do ano passado. Depois disso, ele foi hospitalizado para tratamento. "Me sinto bem", disse ele, que recebeu permissão dos médicos para viajar para Roma e acompanhar o Campeonato Mundial.
  • Frase de Aaron Peirsol, sobre sua participação no GP de Charlotte na última semana: "Recebi mensagens e e-mails de pessoas com quem não conversava há muito tempo me dando os parabéns. Tive mais atenção nessa competição do que a maioria dos campeonatos nacionais que já fui", disse, sobre a exposição que teve ao derrotar Michael Phelps nos 100m costas na competição que marcou a volta às disputas do fenômeno americano.
  • Jason Lezak não nadará o Mundial de Roma. O principal protagonista da épica vitória americana no 4x100m livre em Pequim sobre a França, no ano passado, anunciou que prefere nadar a Macabíada, espécie de Olimpíada Judia e que ocorre a cada quatro anos em Israel. Em 2001, um americano campeão olímpico fez opção semelhante: Lenny Krayzelburg, campeão dos 100m e 200m costas em Sydney/2000, que abriu mão do Mundial de Fukuoka pelo mesmo motivo.
  • A francesa Laure Manaudou está dando um tempo na natação mas não sai dos holofotes. Ontem ela marcou presença no evento amfAR's Cinema Against AIDS 2009, em Antibes, durante o 62º Festival de Cinema de Cannes (foto).
  • O britânico David Davies, medalha de prata na maratona aquática (10km) em Pequim/2008 e também vice-campeão dos 1500m livre em Atenas/2004, parece ainda não saber direito o que priorizar. Seu objetivo é conseguir uma medalha de ouro na Olimpíada de 2012, que ocorre em seu país natal. No Mundial de Roma, ele não irá nadar nenhuma prova de maratona, e sim os 400m e 1500m livre. "Se eu nadar os 10km em Roma, não terei como ver meu progresso", disse ele, baseado no fato que os 10km acontecem antes das competições de piscina, ao contrário do que ocorreu em Pequim.


Escrito por Daniel Takata Gomes às 18h52
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As sungas de Popov

Alexander Popov foi um mito da natação. Único a ser bicampeão olímpico nos 50m e 100m livre, líder do ranking mundial dos 100m livre por oito anos consecutivos, recordes mundiais que duraram anos... Para mim, um dos cinco maiores nadadores da história.

E isso não tem absolutamente nada a ver com o fato de ele nadar de sunga. Nesses tempos de polêmicas com trajes tecnológicos, já vi muita gente comentando "que saudade do Popov, que ganhava só de sunguinha", "Popov não precisava de fastskin para mostrar que era bom", e por aí vai.

Popov bateu em 2000 o recorde mundial dos 50m livre nadando de sunga. Essa marca durou até fevereiro de 2008. Ian Thorpe bateu o recorde mundial dos 400m livre no Pan-Pacífico de 1999 nadando de sunga (foto). Aquele tempo jamais foi superado por nenhum outro nadador do mundo até hoje! Janet Evans nadou os 400m livre em Seul/88 com um maiô das antigas e deteve o recorde mundial até 2006.

Por que então só se fala na sunga de Popov, e não na sunga de Thorpe ou no maiô de Evans? Popov parece que atingiu um status mítico, inatingível, e muitas pessoas utilizam qualquer argumento para tentar fazê-lo maior do que ele já foi.

Ele não precisa disso. Este argumento inclusive joga contra ele. Sem nenhuma dúvida Ian Thorpe venceria os 400m livre em Sydney usando uma sunga ao invés de seu body suit da Adidas, tamanha foi sua vantagem. Popov, por algum motivo misterioso (marketing? teimosia?), resolveu insistir na sunga quando já ninguém mais do seu nível a utilizava. Resultado: perdeu o tri olímpico nos 50m e 100m livre. Ele piorou seus tempos daquele mesmo ano, mas quem garante que se ele usasse um Fastskin não poderia melhorar décimos preciosos e necessários para a conquista do ouro?

Tanto que ele mesmo se tocou e a partir de então passou a usar trajes correspondentes a sua geração. Dizem até que ele foi o pioneiro em utilizar mais de um traje simultaneamente (teria usado duas calças da Arena para vencer os 50m e 100m livre no Mundial de Barcelona, em 2003).

Por isso, esqueçam as sungas de Popov. Talvez seja por causa delas que hoje ainda não exista um homem tricampeão olímpico na natação.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 18h36
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Algumas coisas

A Federação Internacional de Natação divulgou ontem uma lista de trajes permitidos e proibidos nas competições de natação em 2009. A lista é enorme. 348 trajes foram analisados pela entidade no Instituto de Tecnologia e Ciência da Suíça. Deste total, 202 foram aprovados. As empresas têm agora até o dia 19 de junho para apresentar uma nova versão de suas peças e tentar o aval da Fina. Para ver a lista completa, clique aqui.

Trajes vetados

O que importa nessa lista é observar e analisar a situação dos trajes que mais fazem barulho atualmente. Pode-se ver que apenas o modelo J03 da Jaked está entre os aprovados. Portanto, o Jaked J01 (foto) não está permitido. E é esse justamente o traje com o qual Frederick Bousquet fez 20.94 nos 50m livre e Felipe França bateu o recorde mundial dos 50m peito, no Troféu Maria Lenk.

Existe algum risco destas marcas serem anuladas? Não, nenhum, em absoluto. Até então, os trajes eram aprovados. Federica Pellegrini utilizou um Jaked J01 para vencer e bater o recorde mundial dos 200m livre nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. Ninguém irá tirar a medalha de ouro dela, assim como os recordes de Bousquet e Felipe permanecerão. Denis Pankratov venceu os 100m borbo na Olimpíada de 1996 com ondulações submersas até 35m depois da saída, e esse procedimento foi tornado ilegal no ano seguinte. Nem por isso Pankra perdeu suas conquistas.

Outro traje reprovado é o X-Glide, novo protótipo da Arena. A situação aqui é diferente. O X-Glide, de acordo com a FINA, estava em análise desde seu aparecimento e nunca foi aprovado. O recorde mundial de Alain Bernard nos 100m livre, de 46.94, portanto, deve ser anulado. Se não for, será uma incoerência. Ele só não irá perder a vaga para o Mundial na prova porque ele já estava pré-selecionado pela Federação Francesa. Mas seu resultado no Campeonato Francês deve ser anulado e ele deverá devolver sua medalha de prata (apesar de ele ter nadado a final com um modelo antigo da Arena, ele conseguiu o recorde mundial e a classificação na semifinal usando o X-Glide). Repito, se isso não ocorrer, será uma falta de critério total. Assim como o recorde mundial dos 200m costas obtido pelo japonês Ryosuke Irie na semana passada, também a bordo de um Arena (modelo Descente) não aprovado, deve ser anulado.

O que vale?

Mas falta de critérios não é uma novidade. A FINA não mencionou nenhum motivo que a fez reprovar os trajes mencionados. Quer dizer, até dizem que "os trajes não estão de acordo com o valor de flutuação previamente determinado". Conversa pra boi dormir. Se não tem no livro de regras da FINA, não vale. No caso de atletas submetidos a exames anti-doping, o livro de regras diz que seus resultados só serão válidos mediante um certificado de anti-doping negativo. Mas não fala nada de certificado de aprovação dos trajes. E de acordo com o livro de regras, a única regulamentação que faz menção a vestimenta do nadador durante uma competição é a seguinte:

SW 10.7 Não é permitido aos nadadores usarem ou vestirem qualquer dispositivo que possa ajudar sua velocidade, flutuação ou resistência durante uma competição (tais como luvas, nadadeiras, pés-de-pato, etc.). Óculos podem ser usados.

De acordo com a regra, nenhum traje que reduza o atrito com a água ou que ajude na flutuabilidade do nadador deve ser usado. Esse é o ponto de partida. Também deveria ser o ponto final. Será que o Aquablade, traje da Speedo da década de 90, ajudava de alguma forma o nadador? Ou será que ele somente diminuía o prejuízo que os nadadores teriam com outros trajes? Afinal de contas, na década de 20 Johnny Weismuller (foto) não usava somente uma sunga, e sim algo parecido com os body suits de hoje, com a diferença de que o material era muito mais pesado e quanto menos "pano" ele usasse, melhor. Mas isso ia contra a moral e os bons costumes da época.

É só reparar: conforme o tempo foi passando e a exibição dos corpos dos esportistas passou a ser aceita e até valorizada, os trajes de banho foram diminuindo. Quanto menos tecido, melhor. Ainda mais com o advento da raspagem de pêlos, popularizada a partir da década de 50. Quando entramos nos anos 2000, a tendência se inverteu. Os homens, até então adeptos somente de sungas, passaram a usar peças que cobriam o corpo inteiro. A troco de quê? Ou os trajes diminuem o atrito (e consequentemente aumentam a velocidade) ou ajudam na flutuabilidade, ou ambos. Não tem outra explicação. O que vai claramente de encontro à regra da FINA. Ou seja, nossa Federação está agindo de maneira errada desde o Aquablade, há mais de 10 anos. Ninguém havia percebido porque as conseqüências na época não foram drásticas. Mas culminou com a bagunça que se vê hoje em dia.

As fábricas dos trajes reprovados devem entrar com ações contra a FINA (afinal, o Jaked auxilia na flutuação e o LZR da Speedo não?). Se alguém aparecer para competir equipado com um traje que possua um motor, não pode ser desclassificado. Está contra a regra da FINA, mas quem usa LZR também está usando um equipamento que auxilia na velocidade. Se um pode, o outro também pode. E não duvido que um caso extremo como esse possa parar nos tribunais e vencer. Uma medalha de ouro para uma lancha humana. A que ponto chegamos?



Escrito por Daniel Takata Gomes às 19h54
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Natação x Atletismo

Há alguns dias, o nadador Eduardo Fischer publicou um post no seu blog em que ele comentava uma reportagem que ele assistiu no Bom Dia Brasil, da Rede Globo.

Segue abaixo um trecho do seu texto:

Em uma matéria, hoje, a emissora fazia um comparativo entre a quebra de recordes nas piscinas e nas pistas de atletismo... Uma vez que final de semana realiza-se no Rio, um importante campeonato de atletismo.

A matéria afirmava que os recordes da natação eram fruto exclusivo dos “novos trajes tecnológicos” e como hoje no atletismo não existem esses trajes, não havia muitas quebras de recordes mundiais na modalidade. E que os tempos da década de 80, no atletismo, ainda eram tempos de referência hoje em dia, diferentemente da natação, tudo em função dos trajes. Como se no atletismo era o homem sozinho, mas na natação era homem + traje...

Fischer argumenta que os trajes ajudam, mas que o principal fator da diferença de duração dos recordes do atletismo para os da natação é o maior tempo que o homem gastou na sua evolução para o aperfeiçoamento de correr, pular e arremessar, ao passo que a natação não é uma atividade natural do homem e por isso ainda há muito a ser aperfeiçoado, por isso atualmente a natação apresenta uma evolução mais rápida.

Isso me deixou intrigado e resolvi fazer um estudo. Se a matéria da Globo afirmava que a diferença de número de recordes mundiais quebrados entre a natação e o atletismo era resultado dos trajes hi-tech, então por esse raciocínio a duração dos recordes nas duas modalidades seria a mesma antes do advento dos maiôs tecnológicos. Voltaríamos precisamente ao ano de 1999, o último ano antes do lançamento do Fastskin da Speedo. Até então, nada de body-suits, calças, bermudas, etc.

Vejam a comparação do panorama dos recordes mundiais de natação e atletismo no dia 31 de dezembro de 1999 (consideradas apenas as provas olímpicas):

Feminino

Masculino

Vê-se, realmente, que os recordes do atletismo eram mais antigos, mesmo antes dos trajes. Somente o recorde mais antigo da natação feminina era anterior ao mais antigo do atletismo feminino, mas mais da metade dos recordes do atletismo feminino eram da década de 80, enquanto só quatro (de 16 provas) na natação feminina eram do mesmo período.

Hoje essa comparação ficaria mais discrepante: a média de tempo dos recordes mundiais na natação, tanto masculina quanto feminina, é agora menor que dois anos, enquanto que no atletismo as médias continuam no mesmo patamar. A maioria avassaladora dos recordes na natação é de 2008 e 2009. Aí que entram os trajes. Mas os números mostram que a evolução no atletismo vem sendo realmente mais lenta, independentemente das roupas.

Em tempo: os recordes mais antigos do atletismo hoje continuam sendo os mesmos: no feminino, 800m rasos de Jarmila Kratochvílová (CZE) de 1983, e no masculino, arremesso de disco de Jürgen Schult (GDR), de 1986. Já na natação as coisas mudaram drasticamente: o mais antigo no feminino é o dos 100m borboleta, de Inge de Bruijn (NED), de 2000, e no masculino é o dos 1500m livre, de Grant Hackett (AUS), de 2001.

A segunda melhor performance da história do salto em distância masculino é do americano Bob Beamon. Ele só perde para o recordista mundial Mike Powell. O que isso tem de relevante? O salto de Beamon foi conseguido em 1968! 40 anos depois, ainda persiste como recorde olímpico. O mais próximo que a natação chegou disso em nível mundial foi o recorde de campeonato mundial da australiana Tracey Wickham (foto abaixo, recebendo medalha da rainha da Inglaterra) dos 400m livre, que perdurou entre 1978 e 2007.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 19h36
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Final em Charlotte

O último dia de competições em Charlotte seguiu a mesma toada do que vinha ocorrendo: alguns resultados interessantes, um brasileiro mandando bem e todas as atenções voltadas para Michael Phelps.

Thiago Pereira nadou muito bem os 200m medley e venceu com 1:58.25, superando em meio segundo o bronze olímpico Ryan Lochte e em mais de dois segundos o recorde de campeonato de Michael Phelps. A prova foi definida na parcial de peito: 33.28 x 35.14 (nos outros três nados, Lochte foi mais rápido). Esse tempo é mais rápido que a parcial do recorde mundial de Phelps (33.50) e que a parcial do recorde sul-americano do próprio Thiago (34.44)! Sem estar no melhor de sua forma, ficar a meio segundo de seu melhor tempo foi um grande resultado para o brasileiro!

Michael Phelps nadou os 100m livre e como era de se esperar não conseguiu derrotar o francês Frederick Bousquet. No final, 48.22 x 49.04. Durante a prova, Phelps testou novamente o nado com recuperação reta dos braços em alguns trechos da prova. Tudo bem, foi só um teste, mas claramente ele precisará se decidir se irá nadar a prova inteira com os braços retos ou não. Ficar mudando de estilo no meio da prova certamente não irá ajudá-lo. Por outro lado, o tempo de Bousquet não correspondeu a sua boa performance nos 50m (21.33), apesar da forte passagem na primeira metade da prova (22.83).

Aaron Peirsol não teve vida fácil nos 200m costas contra Tyler Clary, mas no final a experiência falou mais alto e o vice-campeão olímpico da prova venceu com 1:56.65. Ele superou assim o recorde mais antigo da competição, que vinha desde 1992 e pertencia a lenda espanhola do nado de costas Martin Lopez-Zubero, campeão olímpico da prova naquele mesmo ano e ex-recordista mundial. Nos 100m livre feminino, bom tempo para Amanda Weir: 54.06.

Algumas reportagens (eu vi no UOL e na Swimnews) vêm dizendo que a derrota de Phelps para Peirsol nos 100m costas foi o primeiro revés do fenômeno americano em 364 dias. A última vez que ele havia disputado uma prova sem subir no lugar mais alto do pódio tinha sido no Meeting de Santa Clara de 2008, onde ele chegou atrás do próprio Peirsol. Trata-se de uma notícia falsa. A última derrota de Phelps antes dos 100m costas de sábado havia sido momentos antes, nos 50m livre, prova em que ele completou as eliminatórias na 8ª posição e desistiu de nadar a final.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 13h16
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De novo em Charlotte

Segundo dia em Charlotte com alguns resultados interessantes. Thiago Pereira nadou os 200m borbo, prova que não está habituado, e conquistou a 3ª posição com 1:59.75. Detalhe para as ótimas viradas, onde ele tirava grande diferença para os primeiros colocados. O vencedor Dan Madwed mandou bem na água, mas nem tanto fora dela com seu bigode bisonho! Thiago também nadou os 100m costas, mas com 57.18 na eliminatória, ficou longe de sua melhor marca (54.75) e resolveu não nadar a final B.

A grande prova do dia foi sem dúvida os 100m costas masculino. As câmeras de TV só focalizavam Michael Phelps, mas ele teve que se curvar ao recordista mundial Aaron Peirsol, vencedor com 53.32. Phelps, com 53.79, ficou a 78 centésimos de seu melhor. Não tenham dúvidas que ele irá investir nessa prova e com algum tempo de treinamento ele certamente ameaçará os melhores do mundo. Isso já não ouso dizer nos 50m livre, onde ele fez 23.24 na eliminatória e não quis nadar a final A. Talvez ele tenha a condição necessária para brilhar em provas de 100m, mas nos 50m já é querer demais. Posso queimar a língua, quem sabe!

O recordista mundial Fred Bousquet venceu os 50m livre com 21.33. Detalhe que ele usava um Jaked vermelho, mas com o logo tampado! O pódio foi completado por Cullen Jones (21.81) e George Bovell (22.01). O pódio foi mais fraco que o do Maria Lenk, o que também vem acontecendo com algumas outras provas. Claro que os americanos estão competindo pesados, mas já quer dizer alguma coisa!



Escrito por Daniel Takata Gomes às 21h22
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A volta do fenômeno

Começou ontem o GP de Charlotte, na Carolina do Norte, Estados Unidos. Ontem aconteceram apenas os 800m feminino e os 1500m masculino, com vitórias de Katie Hoff e Peter Vanderkaay, respectivamente, em tempos bem modestos.

Hoje a grande atração foi a volta de Michael Phelps (foto) às competições. Depois de nadar as eliminatórias com tranquilidade, teve um pouco de dificuldade para assegurar vitórias em suas provas. Nos 200m livre, derrotou Vanderkaay por 69 centésimos com 1:46.02. O tempo é mais de três segundos acima de seu recorde mundial. Phelps não demonstrou gostar do tempo pela sua expressão após a chegada. Nos últimos metros, ele utilizou uma recuperação de braços esticada, muito usada por alguns velocistas (casos clássicos eram Inge de Bruijn e Michael Klim). Já nos 100m borbo, seu tempo foi mais significativo: 51.72, quase um segundo na frente do segundo colocado.

Thiago Pereira competiu os 100m peito e ficou na 3º posição com 1:02.46, atrás dos olímpicos Mark Gangloff e Eric Shanteau, este já recuperado de uma cirurgia que retirou um tumor de seus testículos no ano passado após a Olimpíada. Gangloff, inclusive, está há muito tempo para nadar abaixo do minuto na prova e não consegue. Hoje passou perto mais uma vez: 1:00.18, talvez o melhor resultado da competição até aqui. Mas quando será que esse 59 vem???

Realmente a galera tá nadando pesada. Até agora, Katie Hoff (2:00 nos 200m livre) e Ryan Lochte (1:50 nos 200m livre), além do próprio Phelps, registraram tempos modestos. Em relação a Phelps, acho que não devemos esperar uma destruição de recordes no Mundial de Roma, assim como foi em Pequim, e também em Melbourne/2007 e Barcelona/2003. Ele ficou quatro meses parado, está mudando seu treinamento e arriscará novas provas. O que podemos esperar é ele aumentar seu recorde de maior medalhista em Campeonatos Mundiais (são nada menos que 20 medalhas sendo 17 de ouro!).

Interessante notar que ao que parece o Jaked ainda não chegou com força total aos Estados Unidos. Comparando com o Troféu Maria Lenk, havia muito menos nadadores usando o super-traje italiano. Será que eles ainda estão com dificuldades no acesso ao maiô ou estão guardando para os momentos mais importantes (Campeonato Nacional e Mundial de Roma)?



Escrito por Daniel Takata Gomes às 20h06
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Duel in the Pool com recorde mundial!

Durante os tempos de Guerra Fria, os Estados Unidos organizaram um boicote político aos Jogos Olímpicos de 1980, em Moscou, e os soviéticos deram o troco quatro anos depois, não participando dos Jogos de Los Angeles. Naquela época, para manter o espírito de cordialidade pelo menos no esporte, foram criados os Goodwill Games. Tratavam-se de duelos entre Estados Unidos e União Soviética, que tiveram início em 1986 e em geral eram realizados de quatro em quatro anos (na foto, o logo da edição de 1990). Grandes resultados sempre aconteciam, pois eram dois dos países mais fortes no mundo do esporte.

Na natação (e também em alguns outros esportes), o formato da competição era voltado para a mídia. Então havia duelos, provas curtas, provas alternativas, tudo para atrair público. Com o fim da Guerra Fria, a competição continuou com algumas mudanças de formato, como por exemplo a participação de um selecionado europeu e um selecionado mundial contra os melhores americanos e russos.

A última vez que o Goodwill Games foi disputado foi em 2001. Na natação, para preencher a lacuna deixada com o fim da competição, foi criado o Duel in the Pool. Em 2003, a primeira edição ocorreu com o duelo entre Estados Unidos e Austrália, as duas potências da atualidade. Alguns bons resultados aconteceram naquele ano (como um recorde mundial de Michael Phelps nos 400m medley - foto), o que deu força para a competição continuar. Com periodicidade de dois em dois anos, a última edição nesse formato foi em 2007, com uma atração: um revezamento misto 4x100m livre (dois homens e duas mulheres) que causou polêmica, pois a australiana Libby Trickett abriu a prova com um tempo abaixo do recorde mundial dos 100m livre, mas que não pôde ser homologado porque o 4x100m livre misto não era uma prova oficial.

No ano passado, os americanos resolveram mudar e acertaram o Duel in the Pool com uma seleção européia para 2009. Os australianos deram o troco e resolveram duelar com os japoneses. Alemães e britânicos também criaram sua versão para a competição, que terá início em 2010. Parece que a moda pegou!

O fato é que Austrália e Japão competiram esse final de semana, com alguns resultados que merecem destaque. A começar, novamente, por Libby Trickett, que, nadando a mesma prova que causou polêmica em 2007 (4x100m livre misto), dessa vez quase bateu o recore mundial abrindo a prova, perfazendo 52.89 - apenas um centésimo acima de sua própria marca mundial.

Mas o melhor resultado foi do japonês Ryosuke Irie (foto). No ano passado, ele tinha chegado aos Jogos de Pequim entre os favoritos nos 200m costas, mas, inexperiente, sucumbiu à pressão. Agora, dá mostras que veio para ficar. Primeiro, ficou a dois centésimos do recorde mundial dos 100m costas com 52.56. Depois, destruiu a marca dos 200m costas, que era do americano Ryan Lochte, em simplesmente mais de um segundo (1:52.86)!!! Detalhe no seu estilo é que ele quase não bate perna (duas pernadas para cada ciclo de braçadas), o que dá margem para melhora. Irie vestiu um traje da Arena que ainda está esperando por aprovação, assim como o X-Glide de César Cielo e Alain Bernard. Mas, ao contrário da moda mundial, ele não vestiu um body suit, e sim apenas uma calça.

Nos 200m peito, Ryo Tateishi fez 2:08.25 e tirou por 19 centésimos a liderança do ranking mundial de Henrique Barbosa. Eamon Sullivan, recordista mundial dos 50m e 100m livre até algumas semanas atrás, venceu os 100m com 48.40 e ficou em 3º nos 50m com 22.46. A maior estrela australiana, Stephanie Rice, ficou bem longe de seus recordes mundiais de 200m e 400m medley e terminou apenas nas 3ª posição em ambas as provas.

No final, os japoneses - quem diria! - venceram por 14 vitórias a 10.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 19h00
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Resumo da ópera

Desculpem pela demora em atualizar o blog, mas sábado e domingo estive no Maria Lenk e ontem não tive tempo de acessar. Vocês já devem saber o que aconteceu nas últimas finais do Troféu Maria Lenk, por isso vou aqui fazer um resumo do que foi a melhor competição nacional dos últimos tempos.

QUEM TEM BOCA...

27 nadadores foram selecionados para representar o Brasil no Mundial de Roma. É um número simplesmente 80% maior do que a seleção que foi a Melbourne, no Mundial de 2007. E isso que não seremos representados nos revezamentos 4x100m e 4x200m livre feminino. Segue abaixo a relação dos atletas que conseguiram índices, limitados a dois por prova individual:

50m livre feminino – Flávia Delaroli (25.06)
50m livre masculino – César Cielo (21.30) e Nicholas dos Santos (21.74)
100m livre masculino – César Cielo (47.60) e Nicolas Oliveira (48.69)
200m livre masculino – Nicolas Oliveira (1:46.90) e Rodrigo Castro (1:47.47)
50m costas feminino – Fabíola Molina (28.19) e Etiene Medeiros (28.55)
50m costas masculino – Guilherme Guido (24.71) e Daniel Orzechowski (25.41)
100m costas feminino – Fabíola Molina (1:00.51)
100m costas masculino – Gabriel Mangabeira (53.81) e Guilherme Guido (53.99)
50m peito feminino – Tatiane Sakemi (30.81) e Ana Carla Carvalho (31.13)
50m peito masculino – Felipe França (26.89) e João Luiz Jr. (27.14)
100m peito feminino – Tatiane Sakemi (1:07.87) e Carolina Mussi (1:08.41)
100m peito masculino – Henrique Barbosa (59.03) e João Luiz Jr. (1:00.40)
200m peito feminino – Carolina Mussi (2:27.42)
200m peito masculino – Henrique Barbosa (2:08.44) e Tales Cerdeira (2:09.31)
50m borboleta feminino – Gabriella Silva (26.18) e Daynara de Paula (26.42)
50m borboleta masculino – César Cielo (23.42) e Nicholas dos Santos (23.43)
100m borboleta feminino – Gabriella Silva (58.00)
100m borboleta masculino – Gabriel Mangabeira (51.21) e Kaio Márcio de Almeida (51.64)
200m borboleta masculino – Kaio Márcio de Almeida (1:53.92)
200m medley feminino – Joanna Maranhão (2:14.06
200m medley masculino - Thiago Pereira (1:58.06) e Henrique Rodrigues (1:59.47)
400m medley feminino – Joanna Maranhão (4:40.01)
400m medley masculino – Thiago Pereira (4:11.25)
4x100m livre masculino – César Cielo (47.60), Nicolas Oliveira (48.69), Fernando Silva (48.76) e Guilherme Roth (48.85)
4x100m medley feminino – Fabíola Molina (1:00.51), Tatiane Sakemi (1:07.67), Gabriella Silva (58.00) e Tatiana Lemos (55.01)
4x100m medley masculino – Guilherme Guido (53.99), Henrique Barbosa (59.03), Gabriel Mangabeira (51.21) e César Cielo (47.60)
4x200m livre masculino – Nicolas Olivera (1:46.90), Rodrigo Castro (1:47.47), Lucas Salatta (1:48.61) e Thiago Pereira (1:49.45)

Os atletas que irão a Roma são esses, mas isso não significa que serão exatamente essas as provas que irão nadar. Por exemplo, César Cielo ou Nicholas Santos podem desistir dos 50m borbo para priorizar o livre e ceder a vaga a Kaio Márcio. Joanna Maranhão pode nadar os 200m borbo, já que ela estará lá, apesar de não ter conseguido o índice da CBDA.

RECREIO DOS BANDEIRANTES

O Esporte Clube Pinheiros conquistou o sétimo título consecutivo e o 12º de sua história, igualando-se ao Flamengo como o maior vencedor da história do Troféu Brasil/Maria Lenk. A supremacia foi avassaladora: quase o dobro de pontos do segundo colocado, o Minas Tênis Clube. Pudera: o Pinheiros tinha a maior equipe, o maior número dos nadadores "de elite" do Brasil (nada menos que 16 dos 27 que irão a Roma são pinheiristas) e a equipe que melhor nadou a competição em termos de melhoras de tempos. Foi impressionante o quanto os atletas do Pinheiros melhoraram suas performances. Claro, com uma ajudinha...

MAIÔ MAIÔ MAIÔ

Em uma matéria feita pela SporTV antes da competição, alguns nadadores foram entrevistados sobre os efeitos que os trajes hi-tech estariam causando na natação. Chamou a atenção a nadadora Gabriella Silva, que depois de ser filmada com a mão tremendo devido ao aperto do maiô, declarou que o traje não era nem de longe uma das cinco principais coisas que contam no resultado final. Porém não foi isso que se viu no Rio de Janeiro. Conversando com um nadador, ouvi que do Fastskin para o Bluseventy a o ganho de performance é notável. Deste para o Jaked, então, é sem palavras. Não foi a toa que mais de 80% dos recordes sul-americanos individuais conseguidos na competição foram com o traje italiano. Os únicos que fugiram da regra foram Kaio Márcio, nadando de Bluseventy, e César Cielo, patrocinado da Arena, ora experimentando um novo protótipo, ora nadando com um traje antigo.

ENXURRADA DE RECORDES

Sim, foram 37 recordes sul-americanos! Difícil de acreditar no início da década, quando os recordes eram minguados (lembram-se do Troféu Brasil em Brasília, com apenas dois recordes em 2002?). Algumas performances merecem destaque. Gabriel Mangabeira é o 8º da história dos 100m borbo e ainda nadou os 100m costas abaixo de 54s, derrotando o favorito Gilherme Guido (que na mesma toada também quebrou a barreira). Guido, aliás, é agora o 5º all-time dos 50m costas. O campeão olímpico César Cielo vinha de treinamentos pesados e sem grandes expectativas, mas quase igualou seu tempo do ouro olímpico nos 50m livre e melhorou o tempo do bronze olímpico nos 100m livre. Ele não vai balizado com o primeiro tempo para o Mundial, mas para nós é o favorito nos 50m livre e pode surpreender na briga pelo ouro nos 100m. Pela primeira vez teremos quatro nadadores abaixo de 49s no 4x100m livre (em Pequim, no ano passado, apenas Cesão obtinha o feito). Mas nada comparado ao que se viu nas provas de peito.

MANDANDO NO PEITO

Impossível não começar falando de Felipe França, que se tornou o primeiro recordista mundial brasileiro em piscina de 50m desde Ricardo Prado em 1982. Com 26.89, ele superou o recorde do sul-africano Cameron van der Burgh em 17 centésimos. Não só sua performance foi fantástica, como a de outros quatro peitistas: são cinco brasileiros entre os oito melhores do mundo este ano e entre os 10 melhores da história! França, João Luiz Junior, Henrique Barbosa, Eduardo Fischer (todos do Pinheiros) e Felipe Lima (Unisanta) fazem a gente ficar sem saudade de apenas alguns anos atrás, quando o nado de peito brasileiro era o que fazia mais feio em termos internacionais. Por pouco também não vimos o primeiro recorde mundial brasileiro desde Prado em uma prova olímpica: Henrique ficou a apenas 12 centésimos da marca do japonês Kosuke Kitajima nos 100m peito com 59.03. Mas ele é o líder do ranking mundial este ano, e 2º nos 200m peito (3º all-time), trazendo junto Tales Cerdeira (do... Pinheiros!), o 4º do ranking. Excepcional performance também das meninas - sim, o peito feminino do Brasil trazendo bons resultados! Mesmo este ano, isso parecia tão improvável quanto o Brasil ser escolhido sede da Olimpíada de 2016 (não se preocupem, essa última alternativa continua fora de cogitação!). Mas aconteceu! Se a torcida antes era para que elas conseguissem índices, elas conseguiram muito mais! Tatiane Sakemi (foto abaixo) é, acreditem, a 6ª do ranking mundial nos 50m peito, a menos de 80 centésimos do recorde mundial! Ana Carla Carvalho é a 13º do mesmo ranking. Nos 100m, também teremos duas representantes em Roma: Tatiane e Carolina Mussi. E nos 200m, Carolina será a única representante brasuca. As três nadadores representam, adivinhem? O Pinheiros! Será coincidência? Não à toa, o técnico Arilson Soares, que comanda somente os nadadores do estilo no clube, foi convocado para sua primeira seleção brasileira absoluta.

CHANCES DE MEDALHA

Muito importante falar nisso. A medalha de ouro de César Cielo deu à natação uma visibilidade poucas vezes vista aqui no Brasil. Atraiu público, patrocinadores, atletas. Os excelentes resultados deste Maria Lenk podem ser considerados em parte fruto da conquista de Cielo. Felipe França já declarou que o ouro de seu amigo o fez treinar como um louco e acreditar que ele também tinha chance. Uma boa performance brasileira no Mundial de Roma faria a bola de neve rolar. Certamente haverá uma cobertura por parte da imprensa como nunca se viu aqui no Brasil para um Mundial de natação. Se o Brasil, objetivamente falando, conseguir um recorde de medalhas (o máximo conseguido foi em Roma/1994, com duas, também a última vez que o Brasil subiu ao pódio), a promoção do esporte continuará, e com isso, mais retorno (= dinheiro e investimento). A chance de alavancar a natação nacional está aí, não podemos desperdiçá-la! Você, nadador brasileiro que nadará em Roma, esteja ciente disso! E você, torcedor fanático da natação brasileira, espalhe, divulgue, chame os amigos, fale para eles dos recordes, de Cielo, de Phelps. A natação, mais do que nunca, é a bola da vez.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 17h58
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O texto abaixo saiu no UOL anteontem, e eu já tinha separado para colocar aqui hoje antes mesmo do recorde mundial de Felipe França. Amanhã tem a final dos 50m e eliminatórias dos 100m, mais emoções vêm por aí!

Recorde mundial? Henrique Barbosa não admite, mas pensa na marca para sábado

Henrique Barbosa surpreendeu os mais desavisados no Troféu Maria Lenk, que está sendo disputado no Rio de Janeiro. Após passar despercebido em Pequim-2008, em 2009 ele entrou definitivamente no grupo dos maiores do mundo. E, no próximo sábado, pode subir ainda mais nessa lista.

Após marcar o segundo tempo da história nos 200 m peito nesta quarta-feira, ele avisou que nos 100 m peito, com eliminatórias apenas no fim de semana, ele pode ir ainda melhor. "Estou esperando um resultado ainda melhor. Normalmente, quando eu vou bem nos 200 m, nado bem também os 100 m".

Recorde Mundial? Henrique não usou a palavra. Mas deu a entender que é possível. "Não vou prometer. Mas pode ser melhor (do que fez nesta terça-feira). Os 100 m sempre foram minha melhor prova. Sei nadar, nadei 11 milhões de vezes. É uma prova que tem muita gente forte e isso ajuda. A adrenalina faz você ser ainda mais rápido", diz. O último recorde mundial de um nadador brasileiro em piscina longa foi de Ricardo Prado, nos 400 m medley, em 1982.

Técnico de nado de peito do Pinheiros, clube de Barbosa, Arílson Soares admite que é possível, sim, sonhar com a marca de Kosuke Kitajima, de 58s91. "O Henrique mostra há muito tempo um potencial enorme. Nas Olimpíadas, ele não acertou, o que é normal. Natação não é ciência exata. Mas, hoje, ele tem chance de chegar nesse recorde mundial. É só pensar que, há alguns anos, os nadadores treinavam para fazer 1min04. Hoje, ele nada para 1min00. E pode nadar mais baixo. Acho que ele provou que não acredita mais nas barreiras", analisa o treinador.

O melhor tempo da carreira de Henrique na distância é 01min00s05, do mês passado, no Campeonato Francês, em Montpellier. Nos 200 m peito, ele melhorou sua marca do ano em mais de quatro segundo. Para o Maria Lenk, fez preparação especial. Está 7 kg mais magro do que em Pequim, por exemplo. "Dá para nadar abaixo de 1 minuto", diz o nadador.

Dono da marca mundial ou não, Henrique sabe que, a partir de agora, nadará com a pressão por seus resultados. Como as seletivas européias já passaram e o japonês Kitajima fora do Mundial, ele vai chegar à Itália como um dos principais nomes do nado peito.

"Acho que agora eu virei a mesa. Nunca cheguei em uma competição importante com o status que vou chegar agora. Mas eu tenho 24 anos, não sou mais moleque. Fui campeão universitário, fui campeão americano, fui campeão francês. Isso só vai me ajudar. E eu gosto de nadar sob pressão".



Escrito por Daniel Takata Gomes às 22h10
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RECORDE MUNDIAL!!!!

Sim, isso mesmo, RECORDE MUNDIAL, no TROFÉU MARIA LENK, em PISCINA DE 50M, e por um NADADOR BRASILEIRO!!!

O autor da façanha ocorrida agora há pouco foi Felipe França, o rei da filipina! Com um impressionante 26.89, superou em 17 centésimos a marca anterior do sul-africano Cameron van der Burgh e se tornou o primeiro homem do planeta a nadar a prova abaixo de 27s em piscina longa.

E não foi só isso. João Luiz Junior chegou perto do tempo do sul-africano, com 27.14, e agora é o terceiro melhor nadador da história da prova! Henrique Barbosa nadou pela primeira vez na casa dos 27s e logo para 27.20, se tornando o quinto mais rápido de todos os tempos. Felipe Lima com 27.29 e Eduardo Fischer com 27.37 também estão entre os melhores da história! Veja o ranking abaixo:

1.  Felipe França, BRA         26.89 2009
2.  Cameron van der Burgh, RSA 27.06 2009
3.  João Luiz Junior, BRA      27.14 2009
4.  Oleg Lisogor, UKR          27.18 2002
5.  Henrique Barbosa, BRA      27.20 2009
6.  Alessandro Terrin, ITA     27.25 2009
7.  Felipe Lima, BRA           27.29 2009
8.  Brenton Rickard, AUS       27.30 2008
9.  Giacomo Dortona, FRA       27.36 2009
10. Eduardo Fischer, BRA       27.37 2009

Cinco brasileiros entre os 10 melhores da história da prova! E todos eles nadaram bem abaixo do antigo recorde sul-americano de 27.58 de Felipe Lima!

Algumas curiosidades: o último recorde mundial brasileiro foi estabelecido por Thiago Pereira, no final de 2007, nos 200m medley, em piscina de 25m em Berlim. Em piscinas brasileiras, a última marca mundial havia sido de Kaio Márcio, em Santos, nos 50m borboleta em 2005, também em piscina de 25m.

Em piscina de 50m, os fatos são mais antigos. O último recorde mundial brasileiro foi com Ricardo Prado, em 1982, nos 400m medley no Mundial de Guaiaquil. E o último recorde mundial obtido por um brasileiro em piscina local foi de José Fiolo, em 1968, no Rio de Janeiro, na prova de 100m peito.

A última vez que os brasileiros haviam presenciado um recorde mundial em piscina de 50m foi em 2000, quando a holandesa Inge de Bruijn superou a marca dos 50m livre na piscina do Julio Delamare, também no Rio de Janeiro.

Só para finalizar, Tatiane Sakemi, Ana Carla Carvalho e Carolina Mussi pegaram índice para o Mundial nos 50m peito feminino. Tatiane fez 30.81, e o recorde mundial da prova é 30.05! Algo inimaginável há somente alguns minutos!

Encha o peito e diga: BRASIL, O PAÍS DO NADO DE PEITO!

 



Escrito por Daniel Takata Gomes às 19h01
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Troféu Maria Lenk - finais do terceiro dia

400m livre feminino: A chilena Kristel Kobrich já havia chegado perto do recorde sul-americano dos 400m livre na passagem dos 800m. Nadando a prova pra valer, não decepcionou e com 4:11.83 é a nova detentora da marca continental. Joanna Maranhão, melhorando quatro segundos de seu melhor tempo, com 4:12.19, é a nova recordista brasileira. Monique Ferreira, que perdeu seus dois recordes, ficou com o bronze com 4:13.62. Pela sua piora nos 400m e melhora nos 200m, parece que ela está mais veloz do que resistente, talvez almejando nadar bem os 100m para pleitear uma vaga no revezamento 4x100m livre no Mundial. Lembrando que esse revezamento ainda não tem índice - é preciso uma média de 55.32 por nadadora. Difícil, pois apenas Tatiana Lemos com 55.01 tem um tempo abaixo disso. Mas nesse Maria Lenk não dá pra duvidar de nada...

Joanna Maranhão

 

400m livre masculino: Depois de uma grande alternância entre os líderes, Conrado Chede ficou com a vitória com 3:52.64 em uma prova muito equilibrada. Apesar da notável evolução de alguns finalistas, a prova teve nível técnico fraco. Felipe May piorou seu tempo para ficar com a prata (3:53.27) e Leonardo Fim melhorou muito para o bronze (3:53.57). Decepção para o recordista sul-americano Armando Negreiros, fechando raia com 3:58.00.

Conrado Chede 

 

200m costas feminino: Nas eliminatórias, Fernanda Alvarenga nadou uma prova impressionante! Melhorou mais de dois segundos de seu recorde sul-americano, com 2:12.32, e a possibilidade de um índice para o Mundial, que parecia remota, ganhou contornos reais. No entanto, na final, ela mostrou cansaço e terminou com 2:13.26, dois segundos acima do índice. Ainda assim um tempo fantástico (para se ter uma idéia, a segunda melhor brasileira da história da prova, Joanna Maranhão, tem 2:16!). A briga ficou pelo pódio, e quem se deu bem foi Rebeca Bretanha (2:18.84) e Lorena Rezende (2:19.33).

Fernanda Alvarenga

 

200m costas masculino: A expectativa era que a briga acirrada entre pelo menos três nadadores pudesse fazer com que eles nadassem abaixo do índice para o Mundial. Não foi nada disso que aconteceu. Os favoritos Lucas Salatta e André Schultz pioraram seus tempos e quem se aproveitou disso foram Leonardo Guedes e Fernando Santos. Aliás Fernando foi a grande surpresa, levando o ouro com 1:59.98 e melhorando mais de dois segundos e meio de seu melhor! A grande comemoração não foi à toa! Leonardo superou Salatta por um centésimo, com 2:00.10, e na prova em que poderíamos ter três nadadores com índice não teremos representantes no Mundial, pelo menos a princípio.

Fernando Santos

 

50m borboleta feminino: Na eliminatória Gabriella Silva fez 26.18 e bateu o recorde sul-americano. Hoje, repetiu o tempo e igualou seu recorde. Ainda assim, saiu da piscina decepcionada. Não é pra menos: nadando borboleta na prova de 50m livre, ela havia feito um tempo bem melhor (25.75). Hoje, disse que não deu tempo de umedecer seu traje para que ele ganhasse aderência, fato que gerou entrada de água no maiô durante a prova e fez com que ela fosse prejudicada. Isso não apaga o fato de que ela é uma das melhores do mundo na prova e que estará na briga por medalhas no Mundial caso esse problema não se repita. Bom tempo para Daynara de Paula (26.42), que também irá para Roma. Nathália Sá dos Santos já havia melhorado bem seu tempo nos 50m livre e agora no borbo belisca uma medalha com 27.17, agora a terceira melhor brasileira da história da prova.

Gabriella Silva

 

50m borboleta masculino: Briga acirrada por recordes e vagas no Mundial nos 50m borbo. Foram tantos os nadadores que fizeram índice que nem vale a pena citar todos. Mas a seqüência de recordes foi a seguinte: nas eliminatórias, Kaio Márcio (23.55, igualando a marca sul-americana de Fernando Scherer), depois César Cielo (23.49) e então Guilherme Roth (23.46). Mas na mesma série de Roth o argentino Andrez Gonzalez anotou o tempo de 23.45, que seria recorde sul-americano. Mas na realidade o tempo real de Gonzalez foi 25.45, que foi corrigido na manhã de hoje, tendo sido o recorde devidamente devolvido a Roth. Mas durou pouco. Na final, Cesão (com uma chegada bisonha!) venceu com 23.42. Ao menos 30 centésimos ele pode tirar se melhorar essa chegadinha. Prata para Nicholas Santos (23.43) e bronze para Roth (23.64), que passou a noite com a vaga para Roma e perdeu na manhã de hoje. Após a prova, Kaio Márcio fez uma tentativa isolada (ele não pode nadar a final porque está nadando em observação, sem clube) e quase tira a vaga de Nicholas, mas com 23.44 terá que se contentar com "apenas" os 100m e muito provavelmente 200m borbo em Roma. De se notar o tempo de Gabriel Mangabeira (24.07), mais lento que sua passagem dos 100m borbo (24.00)!

César Cielo

 

4x200m livre: Mesmo poupando suas principais atletas (Tatiana Lemos e Monique Ferreira, que irão com tudo para os 100m livre), o Pinheiros venceu no feminino com 8:14.05, mas não tranquilamente, com a vitória sendo garantida somente nos últimos 100m quando Manuella Lyrio conseguiu ultrapassar Izabela Fortini do Minas. A Unisanta ficou com o bronze. No masculino, Thiago Pereira abriu para 1:49.45 e garantiu vaga no revezamento do Mundial. Mas o ouro ficou com a Unisanta. Felipe May pulou dois segundos na frente de Rodrigo Castro, administrou, esperou Rodrigo dar tudo para ficar próximo e aí aproveitou o cansaço do adversário no final para abrir uma margem de meio segundo (7:21.61). O Pinheiros, sem Nicolas Oliveira e Lucas Salatta, não conseguiu pódio. O bronze ficou com o Corinthians.

Equipe masculina da Unisanta



Escrito por Daniel Takata Gomes às 16h00
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Hipertenso

Nicolas Oliveira não apareceu hoje para nadar a final dos 200m livre. Ele perdeu a medalha de ouro, mas, menos mal, não a vaga para o Mundial de Roma. Veja abaixo a reportagem do UOL falando mais sobre a situação do nadador.

Nadador hipertenso lida com pai na UTI para fazer índice para Roma 

Nicolas Oliveira deixou a piscina do parque aquático Maria Lenk aliviado. Ao nadar os 200 m livre da última seletiva brasileira para o Mundial, ele garantiu seu nome na delegação brasileira que vai à Roma, em julho. O resultado foi dedicado ao seu pai, Sílvio Oliveira, de apenas 58 anos, que tinha acabado de sair da UTI, após sofrer um aneurisma na aorta.

"Ele descobriu o problema em um check up normal. Os médicos disseram que se não tivesse sido detectado o problema, ele teria só mais seis meses de vida", conta o nadador. "Há duas semanas, ele foi operado. Eu e meu irmão nos revezamos para ficar no hospital. Ele saiu hoje da UTI", comemora o atleta, que perdeu a mãe também por causa de aneurisma, mas cerebral.

Na quarta-feira, Nicolas marcou o melhor tempo das eliminatórias da prova, com 1min46s90, primeiro brasileiro a quebrar a barreira dos 1min47. O outro brasileiro com índice para a prova é Rodrigo Castro, com 1min47s87, conquistado nas Olimpíadas de Pequim.

No primeiro recorde sul-americano adulto de sua carreira, Nicolas mostrou superação de uma doença perigosa, que atinge muitos brasileiros e que nem sempre é tratada como deveria. O nadador, apesar da vida regrada, é hipertenso. Faz sistematicamente o controle de pressão sanguínea e diariamente tem de tomar um remédio para controlá-la.

"Eu descobri o problema em 2007, quando fui à festa do Prêmio Brasil Olímpico. Desmaiei no meio da cerimônia e fui levado a um hospital. Fiz um exame que mede a pressão por um dia inteiro e o problema foi diagnosticado", conta o jovem de 22 anos. Desde então, além do remédio diário, tem também de cuidar da alimentação. "Hoje, penso muito antes de comer qualquer coisa. Comida, só sem sal", completa.

O índice também mostra a recuperação de Nicolas após os Jogos de Pequim. Convocado para os dois revezamentos (4x100 m e 200 m livre), ele acabou causando a eliminação do 4x100 por cair cedo demais na piscina. "Foi muita pressão na China. Eu acabei fazendo das Olimpíadas uma coisa maior do que realmente é. Na verdade, é só mais uma competição. Aprendi isso".

Mesmo sem competir a final dos 200 m livre nesta quinta-feira, Nicolas confirmou presença em Roma. Com pressão alta, o atleta preferiu ficar no hotel após se sentir mal. Terceiro colocado na prova, Rodrigo Castro também conquistou a vaga, com o tempo conquistado ainda nas eliminatórias (1min47s87). No feminino, Monique Ferreira ganhou a prova, com o tempo de 2min00s59, mas ficou abaixo do índice.

Com resfriado e 38 graus de febre na quarta-feira, o médico da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Marcus Bernhoeft, preferiu poupar o Nicolas da competição desta quinta. "O Nicolas tem um quadro de hipertensão e ainda não tem um diagnóstico muito preciso. Ele usa medicamentos por causa disso, mas pegou um resfriado e isso acaba aumentando a pressão mais que o normal", contou o médico.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 20h21
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