RAIA QUATRO NEWS


Dossiê do Pan

A falta de atualização deste site se deveu principalmente a um motivo: concentração e dedicação para montar um dossiê completo da natação nos Jogos Pan-Americanos. E o trabalho valeu a pena. O resultado é um arquivo de 22 páginas com história dos Jogos, curiosidades, programação, principais competidores por prova, previsões, perfil da seleção brasileira... Bom, chega de enrolação. O arquivo está disponibilizado no Swim It Up!, no endereço http://www.swim.com.br/noticias.php?id=34501. Bom divertimento!



Escrito por Daniel Takata Gomes às 22h38
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O caso Lisbeth Lenton

O caso do recorde mundial de Lisbeth Lenton está dando o que falar. Principalmente porque seu feito despertou discussões sobre as regras que nunca haviam vindo à tona.

Para quem não se lembra, no Duelo Austrália x Estados Unidos no começo de abril, Lenton melhorou o recorde mundial dos 100m livre feminino de 53.30, da alemã Britta Steffen, para 52.99. O problema é que seu tempo foi obtido na abertura de um revezamento misto (feminino e masculino), onde ela nadou contra ninguém menos que Michael Phelps (na foto ao lado, os dois se cumprimentam);

Todas as condições de competição oficial estavam presentes: placar eletrônico, árbitro da FINA, teste anti-doping após a prova. Muitos defendiam a homologação do recorde por causa destes fatores. O primeiro obstáculo comentado contra o recorde foi a regra SW10.15 da FINA, que diz que "nenhum artifício de controle de tempo é permitido, nem o uso de qualquer auxilio ou plano adotado para obter este efeito"
. Em outras palavras, Phelps teria servido de "coelho" para Lenton. Uma hipótese logo descartada, afinal de contas aos 25m o americano já havia livrado um corpo contra a australiana e nos 50m estava quase dois segundos à frente.

Na semana passada, foi confirmado oficialmente que o recorde não será homologado. Cornel Marculescu, diretor executivo da FINA, disse que "a prova não está incluída nas regras da FINA GR 9.6.1.2. Conseqüentemente este revezamento não é uma prova da FINA e o recorde mundial não pode ser aprovado".

Ou seja, o recorde não pode ser homolgado porque o revezamento 4x100m misto não é uma prova oficial da FINA. O site Swimnews apontou um precedente para este caso. A FINA não homologa recordes mundiais em revezamentos 4x50m em piscina curta - apenas considera os melhores tempos como "world bests", pois atualmente as provas não são oficiais. Então, se um nadador bater o recorde dos 50m livre ou 50m costas abrindo um revezamento como este (o que é perfeitamente possível, pois essas provas estão no programa de grandes campeonatos como o Europeu de Curta e o NCAA, quando este é disputado em piscina de 25m), como ficamos? Pela maneira como a FINA se comportou no caso Lenton, um recorde como este também não poderia ser homologado.

A polêmica ainda não acabou. Será que a Federação Australiana considerará o tempo de Lenton como recorde nacional? Se não pode ser homologado como recorde mundial, certamente não poderá valer como recorde australiano. Mas em 2003, na mesma competição (na ocasião, o primeiro Duelo Austrália x Estados Unidos, em Indianápolis, em substituição ao decadente Goodwill Games), a mesma Lisbeth Lenton bateu o recorde australiano dos 50m livre. No entanto, ela foi desclassificada porque, de acordo com os oficiais, teria se movimentado no bloco antes do tiro de partida. Com isso, ela ficou fora do pódio da prova. Mas, incompreensivelmente, os australianos entraram com um recurso e seu tempo passou a ser válido como recorde australiano! E também passou a figurar nos rankings mundiais, assim como este 52.99 nos 100m livre deve aparecer. Algo paradoxal: se o tempo obtido foi irregular perante a FINA, órgão máximo da natação, que rege todas as regras do esporte, por que seria válido em qualquer outra circunstância?

Já que tocamos no assunto de Goodwill Games, vamos relembrar que essa competição foi criada na década de 80 para colocar na mesma piscina os melhores nadadores americanos e soviéticos, na época alijados de competirem um contra o outro por causa dos boicotes olímpicos. Com a queda do muro e o fim da cortina de ferro, o Goodwill Games perdeu a razão de existir. Para mantê-lo vivo, os organizadores deram-lhe uma nova roupagem, convocando os melhores nadadores do mundo para uma competição diferente, onde havia seleções européia e de astros do mundo contra países como Estados Unidos, Rússia e Austrália. As maiores atrações eram as provas de revezamentos, principalmente pela formação das equipes européia e do resto do mundo. Mas o que aconteceria se uma equipe dessas batesse um recorde mundial? A FINA é clara neste aspecto: se houver nadadores de diferentes nacionalidades, recordes de revezamento não podem ser homologados. O mesmo vale para recordes continentais.

E se um nadador bate um recorde abrindo este tipo de revezamento? À primeira vista, nada impediria a validação deste recorde. Mas não é estranho pensar em um recorde homologado sendo que ele foi obtido dentro uma prova que não vale para recorde? Foi exatamente isso que aconteceu no Goodwill Games de 1998 em East Meadow, Estados Unidos. Fernando Scherer (foto) abriu o 4x100m livre da equipe do resto do mundo para 48.69. Depois dele, nadaram o holandês Pieter van den Hoogenband, o porto-riquenho Ricardo Busquets e o italiano Lorenzo Vismara. O tempo de Xuxa foi recorde sul-americano até o fim do ano passado e lhe deu a liderança do ranking mundial daquele ano.

Será que este é o mesmo caso que citamos lá em cima, sobre bater recordes abrindo revezamentos 4x50m? Há uma ligeira diferença: naquele caso, o 4x50m não é uma prova oficial. Aqui, o 4x100m é uma prova oficial, mas a equipe que a constitui não é oficial para efeito de recordes. Confuso? Também acho. Mas gostaria de uma resposta para todas essas dúvidas. Você tem a sua?



Escrito por Daniel Takata Gomes às 19h43
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Maria Lenk por ela própria

A seguir, uma entrevista concedida por Maria Lenk em 2001. Conheça ela melhor por suas próprias palavras.

O INÍCIO

Meu pai foi meu professor de natação. Ele era desportista, sabia nadar muito bem, e criança que eu era, crescida demais e muito magrinha, ele queria que eu fizesse esporte e me levou para o Rio Tietê. É preciso lembrar que na época não havia pisicnas. então aprendi a nadar no rio mesmo. Um rio romântico, com correntezas diferentes, com os peixinhos saltitando, com árvores pendendo para dentro do rio. Esse era o cenário do Rio Tietê que eu aprendi a nadar em São Paulo, que hoje é uma reta de água suja.

RUMO AOS JOGOS OLÍMPICOS DE 1932

O que mais me impressionou foi a chegada do presidente Getúlio Vargas para despedir-se da delegação. E naquela época não havia patrocinadores. Então pediu-se ao governo ajuda e o governo não podia ajudar, entao ofereceu o tal navio, o Itaquecê, e encheu de café, aquele café que deveria ser queimado nos campos de São Paulo, para ser vendido nos EUA. e quando a delegação toda estava a bordo, chegou Getúlio Vargas para nos dizer adeus e me chamou para ficar ao lado dele e tirarmos os costumeiros retratos. Isso é uma lembrança bem nítida que eu tenho da época.

A VIAGEM PARA AMSTERDÃ

Eu sabia que tinha dois canhões a bordo, na proa, para simular um navio de guerra, mas eu não tinha a menor idéia do significado de tudo isso. Era a primeira vez que eu estava saindo de São Paulo, não digo nem do Brasil, de São Paulo, minha cidade natal, onde aprendi a nadar no Rio Tietê, e vendo essas coisas assombrosas que aconteciam em volta de mim, naturalmente eu fiquei deslumbrada. O meu pai, alemão, não tinha as restrições que os pais brasileiros tinham em geral. então ele me confiou ao chefe da delegação, o capitão Orlando, me lembro como hoje, e o Capitão Orlando me adotou como se fosse sua filha.

SOBRE OS JOGOS

Foi a primeira vez que eu percebi que não bastava nadar da maneira que nós fazíamos no Brasil, em forma de brincadeira, porque os japoneses lá estavam demonstrando métodos de treinamento. Foi a primeira vez que eu tive uma noção que seria necessário fazer ginastica e treinar, treinar muito mais do que se usava para a própria prova.

O ENCONTRO COM JOHNNY WEISSMULLER

Johnny Weissmuller era o máximo que uma pessoa no esporte podia ambicionar de conhecer, e ele falando comigo, no meu inglês esfarrapado, e a gente se entendendo.

O AMADORISMO

Os Jogos Olímpicos de 1932 foram realmente o início de uma era desportiva que sucessivamente foi crescendo e se transformou no que nós conhecemos hoje, em que realmente é completamente diferente. Sobretudo porque até o final da minha carreira, havia uma rigorosa lei de amadorismo. Ninguém poderia receber coisa alguma através da prática do esporte. E eu me lembro com muito gosto que a então CBD - Confederação Brasileira de Desportos - tinha um suéter de futebol que me emprestou e que eu tive que devolver na volta da viagem. Chegava a esse ponto.

SOBRE OS JOGOS DE 1936, ORGANIZADOS PELOS NAZISTAS

Quando lá chegamos, a nós interessavam mesmo os próprios Jogos, que foram deslumbrantes, com desfiles maravilhosos, com uma receptividade dos atletas extaordinária. A única pena que eu tive é que mais uma vez fomos jogados em um navio de frete que levou cinco semanas pra chegar do Rio a Hamburgo e naturalmente perdemos toda a nossa forma por falta de sabermos conduzir uma situação dessa. Mas os Jogos Olímpicos em si foram deslubrantes pra todos que participaram. Eu fui de coração aberto e a delegação brasileira foi bipartida. Fomos por um lado a famosa CBD e por outro o Comitê Olímpico Brasileiro, e foi preciso uma conciliação lá mesmo em Berlim, que conseguimos na última hora. Então ficamos aliviados e desfilamos com muita alegria.

ADOLF HITLER

Me lembro muito bem do desfile. De longe eu chegeu a ver Hitler. Mas o protocolo olímpico não permite discursos. Então ele não teve oportunidade de fazer discursos, só recebeu a palavra para declarar os Jogos Olímpicos abertos. Ele só usou essas poucas palavras: "Declaro os Jogos Olímpicos abertos" e acabou aí o discurso do Hitler.

A INVENTORA DO NADO BORBOLETA?

Posso dizer que fui a primeira mulher do mundo a nadar o borboleta. Isso não quer dizer que eu introduzi o nado borboleta. Na época a FINA tinha uma regra sobre o nado de peito que exigia que os braços fossem de frente para trás e de trás para frente simultaneamente, mas não dizia se era dentro ou fora d'água. Um americao chamado (John) Higgins tirou vantagem dessa pequena "falha", trazendo os braços para frente por fora d'água. Como eu assinava uma revista alemã sobre natação, cheguei a ler nessa revista sobre a natação desse americano e experimentei em casa, e ao chegar aos Jogos Olímpicos, ele homem e eu mulher éramos as únicas pessoas a nadar o borboleta, o que naturalmente chamou a atenção.

SOBRE O CANCELAMENTO DOS JOGOS DE 1940 QUANDO ERA RECORDISTA MUNDIAL DOS 200M E 400M PEITO

Todos os atletas do mundo inteiro devem ter sentido o que eu senti também. Uma pena tão grande que sabia-se que naquele momento a gente estava em condições de fazer realizar um sonho de muitos anos que a guera desmanchou. Hoje olhanndo para trás na maturidade dos meus 85 anos vejo que o destino está escrito e que eu não psoso nem me queixar porque outras pessoas sofreram muito mais e até morreram no meio do caminho.

O REDESCOBRIMENTO DA NATAÇÃO

O que acontece é que depois de me retirar das competições quando jovem, quando houve a interrupção da minha carreira por causa da guerra, passei a ser professora de natação e nunca perdi o contato diário com a água. Diaramente eu toamva pelo menos um banho de piscina. Mas depois de 42 anos de magistério, saindo da Fundação de Educação Física da UFRJ e diretora de lá e depois com o título de professora emérita, finalmente me aposentei e aí eu descobri o que é mais gostoso: a natação de master. A natação de master começa aos 25 e vai por faixas etárias, mudando de cinco em cinco anos. E recém ingressei na faixa dos 85 e estou cheia de ambições.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 15h14
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Maria Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant)

Maria, Maria é um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta
Maria, Maria é o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive apenas agüenta

Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo essa marca
Maria, Maria mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania de ter fé na vida

Homenagem a Maria Emma Hulga Lenk (1915-2007), a maior esportista da história do Brasil

Clique aqui e saiba um pouco da vida de Maria Lenk.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 20h05
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Campeonato alemão

Nos últimos anos, temos observado por diversas ocasiões grandes nadadores alemães não mostrarem todo seu potencial quando se trata de Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais. Nos últimos 10 anos, o único recorde mundial estabelecido por um alemão em um Mundial ou Olimpíada foi em Barcelona/2003, quando Thomas Rupprath venceu os 50m costas com 24.80. Mas quando o assunto é Campeonato Europeu e Campeonato nacional, não é raro vermos estes mesmos nadadores fazendo tempos de líderes de rankings mundiais e até estabelecendo vários recordes mundiais (vide os últimos europeus, com Franzi Almsick, Britta Steffen e revezamentos femininos).

A história se repetiu no Campeonato Alemão, realizado em Berlim esta semana. A começar pela própria Britta Steffen (foto), vencedora dos 100m livre com 53.57, melhor que seu 53.74 do Mundial de Melbourne. Também melhorou nos 50m livre, batendo o recorde alemão com 24.66.

Thomas Rupprath venceu os 50m borbo com 23.46 (também recorde nacional), um tempo que lhe daria a medalha de prata no Mundial, e os 50m costas com 25.14, que lhe garantiria o ouro em Melbourne. Já Birte Steven bateu o recorde alemão nos 200m peito feminino com 2:25.33, um tempo quase três segundos melhor do que no Mundial e que lhe daria a segunda colocação (ficou em 6ª).

Outros recordes alemães foram estabelecidos por Andreas Losel (200m peito masculino, 2:11.97), Marco Di Carli (100m livre masculino, 48.88) e Kamil Kasprowicz (200m medley masculino, 2:00.47).

Ao menos a melhor nadadora alemã do Mundial, Annika Lurz, mostrou que em Melbourne teve sua melhor performance. Lá, ficou com a prata nos 200m livre com 1:55.68. Aqui, venceu a prova com 1:56.26. Seu marido Thomas Lurz (antes do casamento ela era Annika Liebs) venceu os 800m (7:58.14) e 1500m livre (15:16.81).


Escrito por Daniel Takata Gomes às 19h48
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Abaixo do minuto - provas masculinas

A barreira do minuto, em qualquer prova, é uma barreira mítica. O lendário Johnny Weissmuller é igualmente famoso tanto por ter feito o papel de Tarzan no cinema quanto por ter sido o primeiro homem a nadar os 100m livre abaixo do minuto. E nem precisamos nos remeter aos grandes campeões olímpicos. Mesmo hoje em dia, quem não esquece da primeira vez que nadou abaixo de um minuto, qualquer prova que seja, qualquer categoria que seja? Todos sabem que 1:00.00 é beeeem diferente de 59.99. Por isso, trazemos aqui a história dos nadadores que pela primeira vez conseguiram nadar na casa dos 59 segundos em suas especialiadades.

100m livre masculino

Esqueçam Mark Spitz. O também americano Johnny Weissmuller (foto) foi o maior nadador da história. Sim, Spitz teve a maior performance de todos os tempos nas Olimpíadas de Munique/1972. Mas pelo pioneirismo, domínio e conquistas, ninguém jamais superou aquele que se consagraria como o Tarzã dos cinemas. Em duas Olimpíadas (1924 e 1928), foi cinco vezes medalha de ouro na natação e ainda beliscou um bronze no pólo aquático. Em 10 anos de carreira, jamais foi derrotado em uma prova sequer, em provas tão variadas como 50 jardas, meia milha e provas de costas. Foi um inovador do estilo crawl. Conquistou 52 vitórias em campeonatos nacionais, um recorde que parece ser eterno. Foi o primeiro a nadar os 400m livre abaixo dos 5 minutos.

Parece ser o suficiente? Mas o feito mais marcante de Weismuller ainda não foi listado. No dia 9 de julho de 1922, aos 18 anos, na piscina de Neptune Beache em Alameda, se tornou o primeiro nadador da história a nadar os 100m abaixo de um minuto. Com 58.6, abaixou a marca que pertencia a outra lenda da natação, o havaiano Duke Kahanamoku, então bicampeão olímpico. Entre 1912 e 1922, Kahanamoku dominou a prova e era o mais cotado para superar a mágica barreira. Havia feito 1:00.4 nas Olimpíadas de 1920. Na época, recordes mundiais eram homologados em piscinas de qualquer tamanho, de 25m para cima. E naquela Olimpíada, Kahanamoku nadou em uma piscina de 100m! Certamente, com uma virada, poderia ter baixado do minuto. Mas dizem que o destino escreve certo por linhas tortas. Não poderia haver ninguém melhor para conseguir a marca do que Johnny Weissmuller.

Uma curiosidade: em 1930, aos 40 anos, Kahanamoku finalmente nadou abaixo do minuto nos 100m livre. E em uma piscina de 100 metros!

100m borbo masculino

O nado borboleta foi implementado na década de 50, separando os atletas que nadavam o nado de peito com recuperação dos braços por dentro e por fora d'água. E não demorou muito para que a barreira do minuto fosse superada. Mas, ao contrário de Weissmuller, o primeiro homem a nadar abaixo do minuto nos 100m borbo não é muito lembrado por esse feito. Ele é um americano com nome de sueco, chamado Lance Larson.

Na realidade, no final da década de 50, quem dominava a prova era o japonês Takashi Ishimoto, cinco vezes recordista mundial da prova. Entre 1957 e 1958, Ishimoto abaixou o recorde de 1:03.4 para 1:00.1. Mas infelizmente para ele, depois de roer o osso, deixou o filé mignon para Larson. O americano, então com 20 anos, estudante da Universidade de Southern California, fez 59.0 no dia 26 de junho de 1960 e foi o primeiro a nadar abaixo do minuto na prova. Curiosamente, foi na mesma Los Angeles que Ishimoto havia feito 1:00.1, exatamente dois anos antes.

Mas poucos se lembram de Larson como o autor dessa façanha. Ele é lembrado pela prova de 100m livre nos Jogos Olímpicos de 1960, onde terminou visualmente empatado em primeiro lugar com o australiano John Devitt. A cronometragem eletrônica deu vantagem para Larson por seis centésimos. Mas esse recurso não era reconhecido oficialmente na época, e a ele foi dada a medalha de prata em uma decisão muito contestada dos juízes. Como os 100m borbo ainda não era uma prova olímpíca, a redenção de Larson veio no revezamento 4x100m medley, onde bateu o recorde mundial e anotou uma parcial de 58.7 no borbo.

100m costas masculino

A história do primeiro sub-minuto nos 100m costas masculino é curiosa. Em setembro de 1964, o americano Thompson Mann anotou 1:00.0 na prova em uma competição em Nova York (não conseguimos saber se foi na seletiva olímpica), quebrando o recorde de 1:00.8 do alemão ocidental Ernst-J. Kuppers, de cinco dias antes. Com os Jogos Olímpicos de Tóquio se aproximando, nada mais natural do que cogitar um tempo abaixo do minuto para o americano.

No entanto, inexplicavelmente, os 100m costas não fizeram parte do programa da Olimpíada de 1964! Desde 1904, excluindo os Jogos intercalados de 1906, até hoje, essa foi a única ocasião que a prova ficou fora do programa olímpico. Parecia que o sub-minuto teria que esperar mais um pouco. Mas, em uma tomada de tempo para decidir quem nadaria o revezamento 4x100m medley (naqueles jogos, não houve 100m costas, 100m peito e 100m borbo, mas houve reveza medley. Vai entender...), Mann fez 59.9 e superou a mítica barreira. Obviamente o tempo não foi homologado por ter ocorrido em uma tentativa não oficial. Então, Mann não se fez de rogado e abriu o revezamento 4x100m medley para 59.6, se tornando oficialmente o primeiro homem a nadar abaixo do minuto nos 100m costas.

100m peito masculino

Em junho de 2000, o russo Roman Sloudnov quebrou o recorde dos 100m peito no campeonato nacional com 1:00.36, derrubando a marca que pertencia ao belga Fred Deburghgraeve havia quatro anos. Ele era o mais cotado para vencer os Jogos Olímpicos daquele ano e de quebra nadar abaixo do minuto. No entanto, quem dizia que estava emplogado para nadar abaixo da mítica marca era o americano Ed Moses. Nem um nem outro. Em Sydney, Sloudnov não correspondeu às espectativas e terminou apenas com a medalha de bronze, e Moses ficou com a prata atrás do italiano Domenico Fioravanti.

Parece que a lição foi aprendida para o ano seguinte, ano de campeonato mundial. Em março, Moses fez 1:00.29. "Com certeza vou nadar abaixo do minuto", previu o americano. Três meses depois, Sloudnov (foto) deu o troco nas semifinais do campeonato russo, em Moscou, com 1:00.26. Mas, para não repetir o ano anterior, onde também bateu o recorde na semifinal e piorou na final, desta vez na final da prova ele parou o cronômetro em 59.97, levando ao delírio o público local.

Um mês depois, no Mundial de Fukuoka, o russo não deixou que o pesadelo de Sydney, de chegar favorito e sucumbir, acontecesse novamente e quebrou novamente o recorde com 59.94. Após a vitória, declarou que o próximo objetivo era nadar abaixo dos 59s, um feito não alcançado até hoje por ninguém. Também viajou na maionese e disse que queria ser o primeiro a nadar os 200m peito abaixo dos 2 minutos em piscina longa! Quanto ao outro falastrão, Ed Moses, jamais nadou abaixo do minuto e nunca chegou a ter o mesmo sucesso em piscina longa que teve em piscina curta.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 18h05
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Abaixo do minuto - provas femininas

100m livre feminino

A australiana Dawn Fraser (foto) freqüentemente é indicada como a maior nadadora de todos os tempos. Ao longo de sua carreira, ela foi praticamente imbatível nos 100m livre. Conquistou três medalhas de ouro olímpicas na prova, abaixou o recorde mundial 9 vezes. Nada mais justo que fosse dela a primazia de nadar abaixo de um minuto pela primeira vez.

Em 1962, ela já era bicampeã olímpica da prova - a primeira nadadora a conseguir defender um título olímpico na história. Havia conquistado o ouro em 1956, em Melbourne, com o primeiro recorde mundial de sua carreira. Em outubro de 1962, durante as disputas da Seletiva para os Jogos da Comunidade Britânica, na mesma Melbourne de 1956, nadou as 110 jardas nado livre em um minuto cravado. Na época, o tempo das 110 jardas era homologado como 100 metros - apesar de corresponder a 100,1 metros. Ou seja, em 100 metros com certeza Fraser faria um tempo melhor. Mas nem precisou disso. Na mesma competição, quatro dias depois, no dia 27 de outubro, nadando as mesmas 110 jardas, conseguiu 59.9, o que, em 100 metros, corresponderia a uns 59.5. O notável é que durante a competição Fraser teve problemas com sua bronquite e, com dificuldades de respiração, nem chegou ao fim do torneio.

Piscina de 50 metros aliada à saúde perfeita renderam um 58.9 para Fraser em 1964, um recorde que duraria sete anos. Mais um dos feitos da maior nadadora da história.

100m borbo feminino

Na década de 70, a lenda da Alemanha Oriental Kornelia Ender era absoluta na prova. Superou por seis vezes o recorde mundial. Em 1976, na Seletiva Olímpica Alemã-Oriental para os Jogos de Montreal, ela quase alcançou a façanha de nadar na casa dos 59 segundos sem sequer nadar para um minuto! Seu recorde, que era de 1:01.24, foi abaixado em mais de um segundo para 1:00.13. Um mês e meio depois, em Montreal, Ender igualou a marca. Quando perguntada se não poderia ter abaixado do minuto, respondeu: "Não acho que conseguiria nadar muito mais rápido. Dei tudo que eu tinha, estava concentrada". Sua compatriota Andrea Pollack chegou logo atrás com 1:00.98, mas no revezamento medley da mesma competição, se tornou a primeira mulher a nadar abaixo de um minuto em revezamento, com 59.53.

No entanto, não coube a nenhuma das duas a honra dos 59 segundos. Mas não poderia deixar de vir da Alemanha-Oriental, a nação dominante na natação feminina da época. Em 1977, Estados Unidos, Alemanha Oriental e União Soviética organizaram em Berlim um desafio entre as nações, nos moldes do extinto Goodwill Games. A alemã Christiane Knacke (foto), 15 anos, não passava de uma novata. No entanto, no dia 28 de agosto, ao cair na piscina para os 100m borbo, ela já assombrou ao passar os primeiros 50m com 27.53. Não esmoreceu e completou a prova em 59.78, se tornando o nome da competição. Interessante é que no ano anterior ela não tinha rankings expressivos no mundo e nem na Europa sequer para sua faixa etária!

Knacke nunca mais abaixou seu tempo, mas mesmo assim conseguiu uma prata no Mundial de Berlim em 1978 e um bronze nos Jogos Olímpicos de 1980 em Moscou nos 100m borbo. Mas esse foi um período negro em sua vida. Antes do Mundial de 1978, ela e Petra Thümer, outra nadadora, foram enviadas ao instituto de medicina esportiva próximo a Dresden. Elas ficaram por lá 137 dias para serem "limpas". O diagnóstico: estavam sendo dopadas em excesso. As responsáveis eram as pílulas e injeções que recebiam de seus técnicos, de procedência desconhecida das nadadoras. Foi quando Knacke começou a se preocupar seriamente com o que estava tomando. Após os Jogos de Moscou, Knacke precisou passar pela primeira de três operações para reparar um dano em seu cotovelo, devido aos esteróides anabolizantes. Seus ossos haviam virado "cristal". Em 1989, se tornou uma das prmeiras ex-atletas da Alemanha Oriental a denunciar o sistema de doping vigente no esporte do país. Em 1998, ela processou seus antigos técnicos. Seu ex-técnico Rolf Gläser pediu desculpas públicas. No mesmo ano, Christiane Knacke resolveu devolver voluntariamente sua medalha olímpica para o COI, se tornando a primeira atleta a fazê-lo por motivo de doping. Quem disse que a glória não tem preço?

Se não considerarmos a assumidamente dopada Cristiane Knacke, a primeira atleta a nadar abaixo de um minuto nos 100m borbo foi a americana Mary T. Meagher, provavelmente a melhor nadadora do estilo na história, durante uma competição denominada Copa do Mundo de Natação disputada em Tóquio, em 1979 (nenhuma relação com a atual Copa do Mundo de piscina curta).

100m costas feminino

Esse é o sub-minuto mais recente. Em 1984, a alemã-oriental Ina Kleber conseguiu um recorde mundial que durou sete anos, com 1:00.59, durante uma competição que reuniu as nações que boicotaram os Jogos Olímpicos daquele ano. Apenas em 1991, quando a húngara Krisztina Egerszegi melhorou a marca com 1:00.31, foi quando começou a se pensar na possibilidade de nadar na casa dos 59 segundos. Três anos depois, a chinesa Cihong He fez 1:00.16 durante o Mundial de Roma, e o sonho pareceu estar mais próximo.

No entanto, essa empreitada demoraria ainda quase uma década. Ina Kleber e Cihong He têm seus recordes colocados em xeque até hoje devido as políticas de doping adotadas nos treinamentos de seus países. E Krisztina Egerszegi era um fenômeno além de seu tempo. Por isso, o mundo teve que esperar até 2002, com o surgimento da americana Natalie Coughlin (foto). Na realidade, um ano antes, Natalie, durante o Mundial de Fukuoka, raspou no recorde mundial de He com 1:00.18 abrindo o revezamento. Na Copa do Mundo em piscina curta, no fim daquele ano, com suas viradas explosivas, conseguiu um inacreditável 57.08. Por tudo isso, todos já sabiam: abaixar do minuto na piscina longa era uma questão de tempo.

No dia 14 de agosto de 2002, no Campeonato Americano em Fort Lauderdale, Natalie Coughlin conseguiu. Com 59.58, destruiu o recorde mundial e entrou para a história. "Tirei um peso das minhas costas", disse ela após a prova, que ainda reclamou que a piscina era muito rasa e que suas ondulações foram prejudicadas. Por isso, ela diz que 59.58 não é o limite. "Acho que posso nadar mais rápido - muito mais rápido". Ela é a única até hoje a abaixar do minuto, e o fez por seis ocasiões, sendo a última delas no último Mundial de Melbourne, onde superou aquela performance de Fort Lauderdale com 59.44.

100m peito feminino

Ainda estamos longe de ver um sub-minuto nos 100m peito feminino. A atual recordista é a australiana Leisel Jones, que desde 2003 trouxe a marca que era de 1:06.52 para os atuais 1:05.09. Apesar da grande melhora, não esperem que esse tempo fantástico seja melhorado muito nos próximos anos, pois é um dos recordes que estão à frente de nosso tempo. Pelas nossas projeções, teremos que esperar pelo menos mais 25 anos para que alguém nade na casa dos 59s.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 17h58
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O desabafo de Ian Crocker

Todos já se cansaram de ler sobre a desclassificação dos Estados Unidos no revezamento 4x100m medley no último Campeonato Mundial, em Melbourne. Para quem esteve por fora do mundo aquático nas últimas semanas, uma breve explicação. O americano Ian Crocker, recordista mundial dos 100m borbo, foi escalado para nadar as eliminatórias do revezamento, e em seu lugar na final da prova nadaria Michael Phelps, que o havia derrotado na prova individual. Apesar do time americano ter feito o melhor tempo classificatório, foi desclassificado por Crocker ter queimado a saída por 1 centésimo. A principal conseqüência disso foi ter tirado de Phelps a chance de conquistar mais uma medalha de ouro, que seria sua oitava no campeonato, uma marca jamais alcançada em competições de alto nível.

Isso me faz lembrar as Olimpíadas de Atlanta, em 1996. A lenda do atletismo Carl Lewis acabara de conquistar sua quarta vitória olímpica no salto em distância, se colocando definitivamente no rol dos imortais do esporte. Era sua nona medalha de ouro em Jogos Olímpicos. Ninguém jamais havia conquistado mais do que nove, "apenas" igualado (como Mark Spitz). Nos bastidores, começou-se a especular a escalação de Lewis no revezamento 4x100m rasos. Lewis já havia sido recordista mundial e campeão olímpico nos 100m, mas não se apresentava em grande forma na prova havia algum tempo. Mesmo assim, houve uma grande pressão para que ele participasse da prova para que conquistasse sua 10ª medalha de ouro e se tornasse o atleta mais dourado da história dos Jogos. No final das contas, Lewis não correu e os Estados Unidos amargaram a medalha de prata, atrás do Canadá. Ficou a lição. Aquele ouro dado como certo no revezamento não veio. Se Lewis tivesse corrido a prova, teria sido ainda pior por não ter entrado para a história em uma prova que o ouro era barbada. Cantar vitória antes da hora é um dos piores erros do esporte.

Onze anos depois, com os mesmos americanos (ajudados, é verdade, pela mídia de todo o mundo), a história se repete. Pelo erro de Crocker, Phelps não conseguiu sua oitava medalha de ouro em Melbourne. Crocker foi malhado e crucificado por ter impedido seu colega de ter entrado ainda mais na história. Afinal, uma vez na final, o ouro era certo. Será que é mesmo? Quem garante que na grande final os Estados Unidos não poderiam ser desclassificados? Brendan Hansen estava doente e apostaram nele como titular, mas e se ele não correspondesse? Não, o ouro não era certo. Era provável mas não certo. Nos últimos anos vimos muitas coisas impossíveis acontecerem na natação mundial, então deveríamos estar preparados para esperar qualquer coisa. Sim, Crocker errou, mas não deveria carregar o peso de oito medalhas de ouro que não vieram. Porque a última poderia não vir de fato.

Em seu blog, Ian Crocker desabafou. Após comparar sua queimada com algumas feridas que obteve ao longo de sua vida, ele escreveu o seguinte:

No domingo, 1º de abril de 2007, ganhei outra ferida. Calculei mal a chegada do nadador de peito no revezamento 4x100m medley, resultando na desclassificação do revezamento no Campeonato Mundial. Cometer erros e viver andam juntos. Ter que pagar pelos seus erros é doloroso. Para mim, a dor é aumentada quando outros têm que pagar pelos erros que você comete também. Ao lidar com essa situação, peço a Deus que me ajude a superar os momentos dolorosos, e procuro por possíveis significados e lições. Aprendi lições simples como sempre praticar trocas com o nadador de peito que nadará com você, pois ele pode ser diferente do que você está acostumado. Isso é o que realmente se aplica ao ato físico de nadar e competir. Mas há algo mais.

Quando você é um nadador de ponta, todos são seus amigos. Todos querem apertar sua mão e te parabenizar e tentar pegar algo com você. Não digo que é errado, simplesmente é assim. A imprensa te ama, e todos os repórteres sempre querem mais uma frase sua. Tudo isso parece surreal, e realmente é. Mas é falso. Você não sabe quem te ama ou somente te respeita, até que você caia. E em qualquer carreira, você pode cair a qualquer momento. Quando isso aconteceu comigo no domingo, a imprensa fez seu trabalho. Eu respeito. Você não precisa gostar de todos que você respeita. Obviamente ali não havia nenhuma pessoa para vir apertar minha não, mas em outro lugar havia. Inúmeros técnicos, membros da comissão técnica e nadadores vieram me saudar e enfatizar o nível de respeito por mim como atleta, mas, muito mais importante, como pessoa.

Às vezes a única razão que encontro para sair da cama de manhã para treinar é que minha carreira de nadador oferece uma experiência de aprendizagem que não encontro em nenhum outro lugar. O retorno dessa carreira é um verdadeiro feedback, conhecimento e sabedoria. Infelizmente, quando estamos em um nível de vitória, facilmente nos esquecemos de como a realidade é dura. Pouco ganhamos quando estamos bem-sucedidos, com exceção de medalhas. Quase tudo aprendemos quando caímos. Sou grato pelas gentis palavras oferecidas pelos meus parceiros em Melbourne. Sou grato por terem permitido que eu nadasse dois revezamentos em Sydney (no duelo Austrália x Estados Unidos) na terça-feira seguinte para que eu me redimisse e seguisse novamente nos trilhos. Essa ferida está aberta, mas cicatrizará e não irá me definir. Quando a dor for embora tudo que restará será apenas memória, conhecimento e sabedoria.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 19h34
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Campeonato Japonês

Aconteceu essa semana o Campeonato Japonês de piscina longa, em Chiba. Lembrando que algumas semanas antes do Mundial tivemos o japonês de curta. Dois campeonatos nacionais em menos de dois meses, com um campeonato mundial entre eles. Haja polimento!

Cinco recordes nacionais foram quebrados, com destaque para Reiko Nakamura (foto) nos 100m costas. Medalha de bronze no mundial, ela é a mais nova desafiante da barreira do minuto. Seu tempo foi de 1:00.29, 11 centésimos melhor do que em Melbourne. Nakamura venceu também os 50m e 200m costas.

Ryo Takayasu superou sua própria marca nacional por sete centésimos nos 50m brobo com 23.84. Hisayoshi Sato melhorou quase um segundo seu recorde dos 100m livre de 2005, com 49.32. Takeshi Matsuda melhorou um recorde que também era seu, nos 800m livre, com 4.18s, com 7:50.93. Foi sua sexta vitória consecutiva.

Por falar em domínio, Kosuke Kitajima venceu pela oitava vez os 100m peito com 1:00.34. "Tentei nadar agressivamente desde o começo. Não estava apto a ter minha melhor performance por causa do cansaço, mas acredito que a confiança que ganhei no Mundial me ajudará no ano que vem", disse o "foguete de bolso", seu apelido entre os japoneses por causa de sua estatura. Kitajima também venceu os 200m peito, desta vez quebrando um jejum sem vitórias na prova desde 2004, com 2:11.04. Já não era sem tempo, já que ele acaba de vir do título mundial da prova.

Outros destaques: Tomomi Morita venceu pela sexta vez consecutiva os 100m costas com 54.51. Yuko Nakanishi, medalhista olímpica nos 200m borbo e sexta em Melbourne, venceu sua especialidade com 2:08.75, reconquistando o título que lhe havia sido tomado por Yurie Yano no ano passado. Ryuichi Shibata, quinto em Melbourne também nos 200m borbo, derrotou Takeshi Matsuda por apenas quatro centésimos e venceu a prova com 1:55.48. Junte a eles o medalhista de prata olímpico Takashi Yamamoto, esqueçam Michael Phelps e temos o país mais forte do mundo na prova!



Escrito por Daniel Takata Gomes às 19h33
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Os 23 trabalhos de Phelps

Após as performances de Michael Phelps no Mundial de Melbourne, semana passada, onde superou cinco recordes mundiais, muita gente se perguntou quantos recordes Phelps já superou em sua carreira. Muitos números pipocaram, mas são tantas marcas que por vezes os responsáveis pelas contagens se perdem. Desde 2000, quando Phelps foi o mais novo integrante da equipe olímpica americana que disputou os Jogos Olímpicos de Sydney (foto ao lado, na seletiva olímpica daquele ano), foram 23 recordes mundiais. Aqueles que apostaram naquele adolescente de 15 anos que terminou os 200m borbo na Austrália em um respeitável 6º lugar não estavam errados. A seguir, confira a trajetória de Phelps através de todos seus recordes, em fatos e fotos. Aqui, não é difícil perder a conta: uma foto e um parágrafo por recorde! Incrível notar que apenas 3 recordes foram em provas de revezamentos - a título de comparação, Thorpe tem 18 recordes na carreira, sendo 5 em provas coletivas.

30/03/2001 - Seu primeiro recorde mundial aconteceu seis meses após os Jogos de Sydney, marcando 1:54.92 nos 200m borbo para quebrar o recorde de Tom Malchow por 0.74s em março de 2001, no Campeonato Americano, em Austin. Com 15 anos, se tornava o recordista mais jovem da história da natação em uma prova masculina. Logo depois, o moleque ambicioso já manifestava intenção de nadar na casa do 1min53s.

24/07/2001 - No Mundial de Fukuoka, Japão, naquele campeonato que ficou marcado pela consagração definitiva de Ian Thorpe, o australiano já teve que começar a se acostumar a dividir os holofotes. Phelps abaixou sua marca dos 200m borbo para 1:54.58 (na foto, ele aparece comemorando entre o japonês Takashi Yamamoto e o francês Franck Esposito).

15/08/2002 - No Campeonato Americano, em Fort Lauderdale, Phelps quebrou o recorde mundial dos 400m medley que era de seu ídolo Tom Dolan. Seu tempo: 4:11.09. O recorde mundial foi necessário para vencer a prova, já que, em uma disputa emocionante, seu rival Erik Vendt também nadou abaixo da marca de Dolan.

29/08/2002 - Duas semanas depois, na disputa do Campeonato Pan-Pacífico em Yokohama, no Japão, Phelps quebrou seu primeiro recorde mundial em revezamento. Ao lado de Aaron Peirsol, Brendan Hansen e Jason Lezak, superou a marca do 4x100m medley com 3:33.48. Foi o único recorde mundial da competição no último dia de disputas, e Phelps anotou a melhor parcial da história no borbo até então: 51.13. 

06/04/2003 - Seu primeiro recorde em 2003, que representaria o ano de sua consagração, aconteceu novamente nos 400m medley, no Duelo Austrália x Estados Unidos, em Indianápolis. A nova marca: 4:10.73. Naquele dia, por pouco ele não se tornou o primeiro nadador da história a quebrar dois recordes mundiais individuais no mesmo dia, ao ficar a apenas três centésimos do recorde dos 100m borbo.

29/06/2003 - Phelps adicionou mais um recorde mundial ao seu currículo no Meeting Internacional de Santa Clara, quebrando o recorde de nove anos do finlandês Jani Sievinen nos 200m medley com 1:57.94. O detalhe é que faltava apenas um mês para o Mundial de Barcelona, o que deixou muita gente na expectativa do que Phelps poderia aprontar na Espanha.

22/07/2003 - No terceiro dia de competições Mundial, em sua primeira prova, Phelps abaixou seu recorde mundial dos 200m borbo para 1:53.93 nas semifinais da prova. Ele, que já havia se tornado o primeiro nadador a completar a prova abaixo de 1min55s, agora nadava abaixo de 1min54s.

24/07/2003 - A marca dos 200m medley caiu novamente no dia seguinte quando Phelps fez 1:57.52 - na semifinal.

25/07/2003 - Outro dia, outro recorde: finalmente ele quebrou o recorde mundial dos 100m borbo de Michael Klim (1999) com 51.47- novamente na semifinal. No dia seguinte, ele melhoraria ainda mais seu tempo para 51.10, mas seria derrotado por Ian Crocker na final da prova, dando início a uma das maiores rivalidades da natação atual.

25/07/2003 - No mesmo dia do recorde dos 100m borbo, Phelps venceu a final dos 200m medley e simplesmente aniquilou seu recorde mundial com 1:56.04, se tornando o primeiro homem a bater dois recordes mundiais individuais no mesmo dia na natação. Este recorde chocou a comunidade aquática. Sua vantagem para o segundo colocado, o australiano Ian Thorpe, foi de mais de três segundos. Foi sem dúvidas o recorde mais espetacular de sua carreira até então, colocando a prova em um patamar antes inimaginável. Ninguém havia nadado abaixo de 1min58s, e ele já estava quase em 1min55s!

27/07/2003 - No último dia do Mundial, Phelps fechou sua participação com chave de ouro, fazendo 4:09.09 nos 400m medley para conquistar outro título mundial e outro recorde. No final daquele campeonato, que foi o melhor de sua vida até este ano, Phelps saiu de Barcelona com quatro medalhas de ouro (uma delas por ter nadado as eliminatórias do revezamento 4x100m medley) e duas de prata (mais uma com revezamento, desta vez 4x200m livre).

09/08/2003 - No Campeonato Americano, disputado em seu estado (Maryland), apenas duas semanas após o Mundial, Phelps já havia vencido quatro provas e batido dois recordes americanos (200m e 400m livre). O melhor viria no último dia, quando abaixou sua já fantástica marca dos 200m medley para 1:55.94.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 17h34
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Os 23 trabalhos de Phelps (continuação)

07/07/2004 - Seu próximo recorde demoraria quase um ano. Nesse período, ele raspou no recorde mundial dos 200m costas, ficando a apenas 15 centésimos da marca de Aaron Peirsol. Mas em julho de 2004, na seletiva olímpica americana em Long Beach, superou pela quarta vez na carreira o recorde dos 400m medley: 4:08.41.

14/08/2004 - Phelps garantiu vaga olímpica em seis provas (mais tarde, ele desistiria de disputar os 200m costas em Atenas). No primeiro dia dos Jogos Olímpicos, repetiu o feito da seletiva e melhorou o recorde dos 400m medley, com 4:08.26 (na foto abaixo, ele comemora com Erik Vendt). No final, saiu com seis ouros e dois bronzes, mas "apenas" um recorde mundial. E aprendeu que, em Jogos Olímpicos, mais do que melhorar marcas, o importante são as vitórias.

17/08/2006 - Em 2005, Phelps passou em branco no quesito recordes. Apesar de ter sido o maior vencedor do Mundial de Montreal, perdeu o posto de melhor nadador do mundo para Aaron Peirsol. Depois, culpou os compromissos pós-olímpicos, que lhe tiraram muito tempo de treinamento. 2006 representou a volta aos melhores dias. O Campeonato Pan-Pacífico, em Victoria (Canadá), foi frutífero. Sua colheita começou com o recorde nos 200m borbo (1:53.80), seu primeiro em dois anos.

19/08/2006 - Depois, ao lado de Cullen Jones, Neil Walker e Jason Lezak, superou a marca do 4x100m livre que pertencia à África do Sul, com 3:12.72. Sua parcial foi de 48.83 abrindo o revezamento. Abaixo, comemora ao lado de Walker.

20/08/2006 - No último dia de competições, Phelps sofreu uma pressão inesperada do compatriota Ryan Lochte nos 200m medley. O recorde mundial de 1:55.84 foi absolutamente necessário para vencer a prova. Lochte chegou apenas 27 centésimos atrás. O recorde da prova, que em 2003 estava em outra dimensão, agora já era alvo de outros nadadores. Phelps sentiu que precisava fazer algo para manter sua soberania.

17/02/2007 - 2007 era ano de Campeonato Mundial. E, pelos resultados de seus adversários Ryan Lochte, Laszlo Cseh, Ian Crocker e outros, era de se prever que seria difícil Phelps manter a hegemonia. Mas, a um mês da competição, ele deixou um recado: estava pronto para a briga. No Grand Prix de Missouri, para surpresa dele próprio, melhorou o recorde dos 200m borbo com 1:53.71. Nadando pesado e sem polimento, deixou claro que iria para o Mundial de Melbourne fazer história. Abaixo, ele salta para o recorde.

27/03/2007 - Phelps começou o Mundial de Melbourne ajudando os Estados Unidos a vencerem o 4x100m livre. O melhor viria dois dias depois. Nadando os 200m livre ao lado do campeão olímpico de 2000 e vice em 2004 Pieter van den Hoogenband, Phelps foi além de tudo que já havia feito na carreira. Superou um recorde que pertencia a Ian Thorpe desde 2001 e que ainda permanecia intocável. Todos pensavam que o recorde duraria muitos anos mais. Mas Phelps subverteu a lógica. Com 1:43.86, melhorou em 20 centésimos o tempo do Thorpedo. Um recorde histórico que assombrou o mundo. Suas ondulações submersas, principalmente após a última virada, se tornaram objeto de admiração e estudo. Na foto abaixo, ele comemora enquanto Pieter nem havia completado a prova ainda.

28/03/2007 - Se Phelps bateu o recorde em uma prova que nem é sua maior especialidade, o que seria ele capaz de fazer em seus domínios? A resposta veio logo. Nos 200m borbo, sua melhor prova, colocou o recorde mais de uma década à frente do nosso tempo! Abaixando mais de um segundo e meio de sua melhor marca, terminou com 1:52.09. Desde 2001, ele abaixou o recorde em três segundos. Antes de 2000, o homem demorou 20 anos, desde 1980, para abaixar tanto (de 1:58.21 com o americano Craig Beardsley para 1:55.18 com o também americano Tom Malchow). O que mais é preciso dizer?

29/03/2007 - Nos 200m medley, a mesma prova que tomou um calor de Ryan Lochte no Pan-Pacífico de 2006, Phelps colocou as coisas nos devidos lugares. Abaixou quase um segundo do recorde e com 1:54.98 bateu seu terceiro recorde mundial do campeonato e o sexto da carreira na prova.

30/03/2007 - Novo dia, novo recorde. Desta vez no 4x200m livre, completando a trinca de revezamentos (já havia batido recordes nos 4x100m livre e medley em ocasiões anteriores). Competindo com Ryan Lochte, Klete Keller e Peter Vanderkaay, aniquilou o já fortíssimo recorde que pertencia à equipe australiana desde 2001 por mais de um segundo com 7:03.24. Phelps abriu para 1:45.36, 1.5s pior do que na prova individual. Caso ele repetisse seu 1:43.86, já podia-se começar a aventar seriamente a possiblidade da equipe americana nadar a prova abaixo dos 7 minutos, algo impensável. Mas colocar em prática feitos impensáveis passaram a ser especialidade de Phelps.

01/04/2007 - Depois de vencer os 100m borbo (única prova individual em que não bateu recorde mundial), Phelps, mesmo cansado, caiu na piscina no último dia para nadar a prova mais dura, os 400m medley. E fez algo espetacular. Lembram-se do primeiro dia da Olimpíada de Atenas, quando ele, descansado, em sua primeira prova, fez 4:08.26? Desta vez, extenuado depois de nadar 16 vezes, abaixou nada menos que dois segundos (4:06.22) com uma segunda metade de prova irrepreensível e não deixou dúvidas de que é o maior nadador da história.

Outro recorde mundial seria possível, no revezamento 4x100m medley, mas a equipe americana foi desclassificada nas eliminatórias. Phelps nadaria ao lado dos mesmos integrantes que bateram o recorde no Pan-Pacífico de 2002 (Peirsol, Hansen e Lezak). Isso impediu também que ele superasse o recorde de medalhas de ouro em uma competição de alto nível. Com sete, ele "apenas" igualou Mark Spitz dos Jogos Olímpicos de 1972. Uma marca que ele pretende superar nos Jogos Olímpicos do ano que vem. E, até lá, a continuar nessa toada, continuaremos publicando outros trabalhos de Michael Phelps.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 16h01
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Recorde mundial?

Há cerca de 15 anos, um jogo amistoso reuniu duas das maiores estrelas do tênis mundial da época. Eu não me lembro exatamente os jogadores que disputaram aquela partida, mas o detalhe interessante é que, de um lado da quadra, estava um homem e de outro uma mulher. Não sei dizer se foi Monica Seles x Andre Agassi, ou Steffi Graf x Pete Sampras. O fato é que a partida trouxe muito interesse da mídia. Claro que as regras adotadas para a partida foram um pouco diferentes das usuais. Uma delas, por exemplo, deixava o campo do jogador masculino maior, para que se compensasse a desvantagem física da mulher de alguma forma. No final das contas, o jogador masculino venceu.

Um duelo entre os maiores nadadores do mundo no feminino e no masculino seria algo inédito. Afinal, como fazer para equilibar as forças de homens e mulheres? No torneio Duel in the Pool, uma disputa entre os melhores nadadores australianos e americanos realizado essa semana em Sydney, uma forma foi encontrada de reunir, na mesma piscina, lado a lado, Lisbeth Lenton e Michael Phelps, os melhores nadadores do último campeonato mundial. Eles foram escolhidos para abrir uma disputa de revezamento 4x100m livre misto (dois homens e duas mulheres para cada equipe). A equipe australiana, formada por Lenton, Eamon Sullivan, Jodie Henry e Kenrick Monk, venceu os americanos, que formaram com Phelps, Kara Lynn Joyce, Lacey Nyemeyer e Jason Lezak.

Mas o resultado final foi o que menos importou. O fato de ter na piscina Lenton x Phelps já seria um grande atrativo. Mas, empolgada com o prêmio de 20 mil dólares para o primeiro recorde mundial da competição oferecido pelo patrocinador Fujitsu, a australiana mandou bala e se tornou a primeira mulher a nadar os 100m livre abaixo de 53s: 52.99. Uma semana antes, ela havia vencido a prova no Mundial com 53.40. O recorde anterior era da alemã Britta Steffen (53.30).

No entanto, não se sabe se o recorde será reconhecido. Afinal, o 4x100m misto não é uma disputa oficial. Fora isso, todas as condições de competição oficial estavam obedecidas, como corpo de juízes da FINA e placar eletrônico.

Já se levantou a hipótese de a regra SW10.15 não ter sido obedecida. Ela diz que "nenhum artifício de controle de tempo é permitido, nem o uso de qualquer auxilio ou plano adotado para obter este efeito". Mas acho que isso está fora de questão. Afinal, Phelps fez 48.72 e em nenhum momento ele serviu de "coelho" para Lenton. Nos primeiros 25m, já estava um corpo à frente, e não havia a menor possibilidade de ninguém, nem de Lenton, pensar que poderia competir de igual para igual contra o americano. Se ele tivesse controlado a prova, com o objetivo real de puxar a nadadora, seria outra história.

Esse impasse deverá ser resolvido nos próximos dias entre a Federação Australiana de Natação e a FINA. Mas, à parte disso, foi uma performance extraordinária e, sendo o recorde homologado ou não, consideraremos como o melhor 100m livre de todos os tempos.

Interessante notar que o presidente da CBDA, Coaracy Nunes Filho, acredita que o recorde não será homologado. Se dependesse da CBDA, realmente um recorde desse jamais valeria. Afinal, em 2000, Alexandre Massura abriu o revezamento 4x50m medley no NCAA para 24.01 em piscina de 25m, uma das melhores performances da história até então nos 50m costas, e o recorde sul-americano não foi reconhecido. Também em 2000, Fabíola Molina fez 1:02.92 nos 100m costas em piscina longa, também abrindo revezamento, no Troféu José Finkel, e o tempo também não foi considerado recorde. E foi por esse tempo que ela se classificou para os Jogos Olímpicos de Sydney/2000! Reclamações, tratar com nossa Confederação.

O feito de Lisbeth Lenton ofuscou completamente nos noticiários as performances dos outros nadadores. Até mesmo nos sites das federações americana e australiana, os resultados estão organizados de maneira horrível, sem parciais de provas e por vezes faltando alguns componentes de revezamentos!

O melhor resultado da competição, atrás do recorde de Lenton, foi obtido pela americana Natalie Coughlin, com 59.83 nos 100m costas. Surpresa nos 100m peito feminino: Tara Kirk derrotou a aparentemente invencível Leisel Jones (1:06.72 x 1:06.80). Por falar em invencível, parece que Aaron Peirsol, depois de perder a invencibilidade de quase sete anos nos 200m costas no Mundial, voltou a sentir o gosto da prata. Gostou de perder? Desta vez, perdeu para Michael Phelps (1:56.29 x 1:57.10). De quebra, também foi derrotado nos 100m costas pelo mesmo algoz dos 200m no Mundial, Ryan Lochte (54.03 x 54.09).

No final, os Estados Unidos venceram na contagem final de pontos, a exemplo das edições passadas (2003 e 2005). À Austrália restou o consolo de ter vencido no feminino.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 23h45
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Review do Mundial

Terminaram ontem as competições de natação no Mundial de Desportos Aquáticos, em Melbourne. Realizado em uma piscina temporária na Rod Laver Arena (lembrando o Mundial de Barcelona/2003, onde uma piscina foi construídano Palau Saint Jordi). Os Estados Unidos dominaram, com 20 medalhas de ouro, seguidos pela Austrália (9 douradas). Mas um nadador, sozinho, conseguiu quase tantas vitórias quanto toda a forte seleção australiana...

A LENDA

O mito, o fenômeno, o maior da história, o rei das piscinas... Tudo isso já foi falado de Michael Phelps durante o Mundial, então parece que não há muito mais a dizer. Todos já sabem que ele conquistou sete medalhas de ouro, igualando as sete de Mark Spitz das Olimpíadas de 1972 e, para ficar no âmbito dos Campeonatos Mundiais, superando as seis de Ian Thorpe de Fukuoka/2001. Todos viram na televisão as imagens das chegadas dos 200m e 400m medley e 200m borbo, onde ele terminou mais de um corpo na frente da "linha" do recorde mundial que já era dele mesmo. Todos se impressionaram com o surpreendente recorde dos 200m livre, deixando para trás por quase três segundos ninguém menos que o campeão olímpico da prova em 2000 Pieter van den Hoogenband. Aliás, podemos considerar mais uma medalha de ouro "moral" por ter abrido o revezamento 4x100m livre para 48.42, um tempo que lhe daria a vitória na prova individual. Um nadador vencendo provas tão diferentes como 100m livre e 400m medley em um Campeonato Mundial seria algo inédito.

Não há mesmo muito de novo para se falar. Mas agora as coisas mudaram para Phelps. Para muitos, ele apenas deu continuidade a sua rotina de quebrar recordes e conquistar medalhas de ouro. Na prática, não foi "apenas" isso. Se lembram das Olimpíadas de Atenas/2004, onde se falava que ele poderia conquistar sete ou oito medalhas de ouro, mas quem realmente tinha noção da situação da natação mundial sabia que seria um feito quase impossível? Agora a coisa muda de figura. Ele chegará a Pequim/2008 com boas chances de conseguir o feito. Isso significa que a pressão será muito maior. Se em 2004 ele podia dividir as atenções da mídia com Ian Thorpe e Inge de Bruijn, agora os holofotes estarão todos sobre ele. Fazia muito tempo que um nadador não chegava a dois jogos consecutivos como a maior estrela.

Com o número de conquistas e recordes já conseguidos na carreira, ele nem precisará fazer muito em Pequim para pleitear o posto de maior nadador de todos os tempos (já é o maior medalhista da história em mundiais, o mais jovem recordista mundial, provavelmente será o maior nadador medalhista olímpico). Mas oito medalhas de ouro em uma única edição dos jogos o colocaria em um nível muito acima de Mark Spitz. O transformariam no maior atleta da história.

Eu disse oito medalhas de ouro? Mas ele não conseguiu sequer oito ouros em Melbourne, como poderá pleitear tantas conquistas em uma Olimpíada? Havia um Ian Crocker no meio do caminho, no meio do caminho havia um Ian Crocker. Não, Phelps não perdeu novamente os 100m borbo para seu compatriota, como nos Mundiais de 2003 e 2005. Crocker vacilou na chegada da prova e deu de bandeja o ouro para Phelps, como nas Olimpíadas de Atenas/2004. Na realidade, Crocker foi o algoz de Phelps desta vez sendo seu companheiro e não seu rival. Nadando as eliminatórias do 4x100m medley, queimou a largada e impediu o ouro que era certo para o time americano e a oitava vitória do Phenômeno. Terá sido a vingança pela derrota nos 100m borbo?

PHELPS DE MAIÔ

"Laure Manaudou é a versão feminina de Michael Phelps". A frase foi proferida pela alemã Franziska van Almsick, ex-recordista mundial dos 200m livre. Guardadas as devidas proporções, Franzi tem motivos para pensar assim. No meio-fundo, ninguém faz frente com a francesa. Ela abriu o campeonato superando o lendário recorde da australiana Tracey Wickham nos 400m livre, que vinha desde 1978 (!!!). Mas sua melhor performance aconteceu três dias depois, quando abaixou em quase um segundo o recorde mundial dos 200m livre. Um recorde que havia sido estabelecido no dia anterior, pela italiana Federica Pellegrini. Em outras palavras: o recorde que antes do Mundial era de Franzi com 1:56.64 agora está em inacreditáveis 1:55.52, com quatro nadadoras tendo nadado abaixo da antiga marca (as outras foram a alemã Annika Lurz e a americana Natalie Coughlin, esta última abrindo o revezamento 4x200m). Manaudou não parou por aí: ficou com a prata nos 100m costas, se tornando a segunda nadadora da história a nadar a prova abaixo do minuto. E travou uma batalha feroz com a americana Kate Ziegler nos 800m livre. Terminou com a prata, mas nadou cinco segundos abaixo do antigo recorde de campeonato. Ainda estava inscrita nos 200m medley, mas o extenso programa de provas, que ainda contava com revezamentos e os 1500m livre, o fizeram abandonar a prova. O que mostra que ela ainda pretende explorar outros territórios e ampliar seus domínios nos próximos anos.

DOIS MITOS QUE CAEM

O primeiro dia de disputas do Mundial foi emblemático. Com Ian Thorpe e Grant Hackett, a Austrália vinha vencendo os 400m livre em Mundiais e Jogos Olímpicos desde 1998. Com Thorpe fora de cena, cabia a Hackett manter a escrita (e o título conquistado em 2005). Mas a medalha de bronze foi um aviso: os tempos estão mudados. A hegemonia australiana em provas de fundo masculinas, pelo menos momentaneamente, é coisa do passado. O martírio de Hackett continou nos 800m livre, onde foi sétimo lugar, e na sua prova favorita, os 1500m, onde também foi sétimo. Foi o fim de uma seqüência de vitórias que se iniciou em 1996. Sua última derrota na prova havia sido na seletiva olímpica australiana para Atlanta! Era a maior invencibilidade da natação mundial. A situação pode se reverter para Pequim no ano que vem, já que Hackett estava longe da sua melhor forma nesse Mundial devido a problemas pessoais. Ele vai atrás do tricampeonato olímpico, mas a julgar pelas dificuldades enfrentadas na prova já em 2004 e por essa derrota inédita, ele pode chegar à China sem sequer ser o favorito.

A outra invencibilidade que viu seu fim em Melbourne foi ainda mais chocante. Se a de Hackett estava com os dias contados, ninguém esperava pela derrota de Aaron Peirsol nos 200m costas. Apesar de estar absoluto na prova desde 2001 - ou seja, cinco anos a menos que Hackett -, sua supremacia era muito mais avassaladora que a do australiano. Ano após ano, o americano batia recordes sobre recordes e não deixava pedra sobre pedra. Em Melbourne, já havia vencido os 100m costas com recorde mundial. Nos 200m, as coisas pareciam estar na mais perfeita normalidade quando ele virou para os últimos 50m líder absoluto. Mas o impossível aconteceu: ele não repetiu seu costumeiro final de prova e foi engolido pelo compatriota Ryan Lochte, que além de vencer superou o recorde mundial de Peirsol. Apesar de Lochte ser o recordista em piscina curta e de ser presença constante no pódio nos últimos anos, sua vitória foi a maior surpresa da competição. Seu ouro interrompe uma seqüência de segundos lugares, afinal em suas especialidades, costas e medley, seus rivais são simplesmente os maiores da história. E por falar em prata...



Escrito por Daniel Takata Gomes às 19h48
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Review do Mundial (continuação)

MAR DE PRATA

Este foi provavelmente o último campeonato mundial de Pieter van den Hoogenband (de acordo com ele, muito possivelmente se aposentará ano que vem). O holandês é um dos maiores nadadores de nossa era e autor de feitos inigualáveis (como por exemplo 47 nos 100m livre e derrotar Ian Thorpe nos 200m livre na terra natal do australiano). No ano que vem, buscará o tri olímpico nos 100m livre. Teve uma performance intocável no Europeu de 1999, quando conquistou seis ouros, recorde na história da competição. Mas em campeonatos mundiais Pieter não tem a mesma sorte. Em quatro mundiais disputados (1998, 2001, 2003 e 2007), o máximo que conseguiu foi o segundo degrau do pódio. São nada menos que sete medalhas de prata e dois bronzes. Em Melbourne, dizia que estava mais preparado para os 200m livre, mas nem um milagre lhe daria a vitória contra Michael Phelps. Nos 100m livre, um modesto 6º lugar. E a frustração de jamais ter conquistado uma medalha de ouro em um Mundial. Frustração? Se o tri olímpico vier no ano que vem, sua coleção de medalhas de prata será a última de suas preocupações.

SUPREMACIA DIVIDIDA

Ao contrário do que vem acontecendo nos últimos anos (Mundial/2005 e Pan-Pacífico/2006), as australianas não dominaram totalmente as provas femininas. Foram oito vitórias para as mulheres da Austrália e nove para as americanas. A maior vitoriosa foi Lisbeth Lenton, ouro nos 50m e 100m livre, 100m borbo e revezamentos 4x100m livre e medley. Leisel Jones, a maior barbada deste mundial nas provas de peito, venceu duas das três provas do estilo mais o reveza medley. Ela não conseguiu superar seus incríveis recordes nos 100m e 200m, mas seria pedir muito. Com nadadoras como Lenton, Jones, Jodie Henry e Jessicah Schipper, não havia como as americanas fazer frente a elas no revezamento medley. Para se ter uma idéia, a melhor nadadora americana, Natalie Coughlin, é a melhor do país nos 100m costas, 100m borbo e 100m livre. Com isso, fica impossível montar um grande revezamento quanto o das autralianas. No entanto, por outro lado, Coughlin saiu com um ouro e recorde mundial nos 100m costas, recorde de campeonato na semifinal dos 100m livre (apesar de ter ficado fora do pódio) e um bronze nos 100m borbo, além do recorde mundial no 4x200m. Outros destaques americanos foram Kate Ziegler nas provas de fundo e Katie Hoff no medley, com um surpreendente recorde mundial nos 400m.

AS ZEBRAS

Como toda boa competição, houve as surpresas que sempre derrubam muita gente no bolão. A maior delas, a já citada vitória de Ryan Lochte sobre Aaron Peirsol nos 200m costas. Nos 100m borbo feminino, a australiana Jessicah Schipper, recordista de campeonato e franca favorita, foi superada pela veloz Lisbeth Lenton. Nos 50m livre masculino, esperava-se um duelo entre o americano Cullen Jones e o sul-africano Roland Schoeman. Schoeman não correspondeu às expectativas, e Jones teve que se contentar com a prata atrás do até então desconhecido compatriota Benjamin Wildman-Tobriner, que disse que só ele e sua mãe acreditavam na vitória. Falando em desconhecido, muita gente sequer sabia a nacionalidade de Leila Vaziri, quanto mais sua especialidade. Portanto foi uma surpresa geral o recorde mundial da americana na semifinal dos 50m costas com 28.13. Na final da prova, ainda igualou seu recorde. Uma curiosidade: sua compatriota Natalie Coughlin, na final dos 100m costas, na qual superou o recorde mundial, fez o tempo de 28.30 na passagem dos 50m no pé, ou seja, contando o tempo da virada. Um recorde mundial dos 50m na passagem dos 100m seria um feito inédito nos dias de hoje. Com certeza ela seria capaz de nadar para o recorde se nadasse os 50m costas.

BRAZUCAS

Ainda não foi desta vez que o Brasil acabou com o jejum de medalhas em mundiais de longa. Desde 1994, com os bronzes de Gustavo Borges e o revezamento 4x100m livre, não há brasileiros no pódio. Mas nunca passou tão perto quanto agora. Thiago Pereira nadou uma excelente prova na semifinal dos 200m medley e superou seu recorde sul-americano com 1:58.65. Na final, piorou um pouco e ficou na quarta posição, longe de Phelps, Lochte e o húngaro Laszlo Cseh. Se Thiago não representou uma ameaça para os três primeiros colocados, o mesmo não se pode dizer de César Cielo. Por apenas quatro centésimos Cielo não subiu no pódio dos 100m livre, prova que liderava até os 10m finais. Com 48.51, superou seu recorde sul-americano de dezembro do ano passado e passa agora a figurar na elite mundial da prova nobre da natação. Cielo também superou o recorde continental na semifinal dos 50m livre com 22.09, melhorando o 22.18 de Fernando Scherer que vinha desde 1998. Na final, com 22.25, Cielo terminou na sexta posição.

Scherer, aliás, foi o melhor brasileiro do Mundial/2005, com a quinta posição nos 50 borbo. Seu tempo na ocasião de 23.55 ainda é recorde sul-americano, e caso ele tivesse nadado em Melbourne e repetisse aquela performance teria ficado com a medalha de bronze. Será que rolou uma ponta de arrependimento por ter se aposentado logo agora?

Quanto às outras performances, no final das contas um saldo positivo para o Brasil. Mas dois recordes sul-americanos (4x100m livre, superando o tempo da equipe do Pan de Winnipeg/1999, e 50m costas feminino com a veterana Fabíola Molina) e vaga olímpica garantida nos três revezamentos masculinos. Surpreendente a performance de Thiago Pereira nos 100m costas, chegando à semifinal e com 55.30 fica a apenas 13 centésimos do recorde sul-americano de Alexandre Massura.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 19h43
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Imagens

Abaixo, algumas imagens de divulgação do Mundial de Melbourne. Na ordem: Leisel Jones, Lisbeth Lenton, Michael Phelps e Grant Hackett.



Escrito por Daniel Takata Gomes às 16h29
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Outros sites
  UOL
  UOL SITES
  Swim It Up!
  Best Swimming
  CBDA
  FAP
  2ª Delegacia FAP
  Batida de Mão (Master)
  Natação Master
  Sátiro Sodré (Fotos)
  Unicamp Reloaded
  Rogério Romero
  Gustavo Borges
  Eduardo Fischer
  Joanna Maranhão
  Rebeca Gusmão
  Mariana Brochado
  Fabiola Molina
  Thiago Pereira
  Gabriel Mangabeira
  Kaio Márcio de Almeida
  Lucas Salatta
  Rodrigo Castro
  Bruno Bonfim
  Jader Souza
  Marcelo Tomazini
Votação
  Dê uma nota para meu blog